MERCADO
SÃO PAULO - O mercado deu uma trégua ontem. O dólar recuou 1,6%, a maior queda em um dia nos últimos dois meses. Apesar do recuo, a moeda dos EUA se mantém em níveis superiores aos verificados desde junho. No fim do dia, US$ 1,00 valia R$ 3,022. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com alta de 0,93%.
Não houve grandes novidades que agitassem o mercado ontem. A atenção dos investidores ficou voltada ao andamento da reforma da Previdência. Os C-Bonds se recuperaram um pouco, fechando com alta de 2,10%, para US$ 0,8500. O risco-país recuou 6,4%, para 838 pontos.
"Tivemos o início da correção de um exagero. O movimento dos últimos dias foi muito irracional, sem fatos que justificassem a disparada do dólar e do risco-país", diz Joaquim Kokudai, diretor de tesouraria do banco Lloyds TSB. Entre sexta e segunda-feira, o dólar subiu 3,44%.
Na avaliação de analistas, os investidores seguirão com a atenção especialmente voltada às negociações de líderes em torno da reforma em Brasília. Um avanço sem empecilhos na reforma poderia abrir espaço para o câmbio voltar a oscilar abaixo dos R$ 3,00.
Anteontem, dia de forte estresse no mercado financeiro, os negócios foram marcados por boatos - que chegavam até a dar como possível a saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho - e pelo rebaixamento dos títulos brasileiros pela corretora norte-americana Merrill Lynch. Ontem, o Morgan Stanley recomendou a compra de papéis brasileiros.
Apesar da melhora de ontem, a expectativa do mercado para este semestre é menos otimista que a dos primeiros seis meses do ano. As esperadas captações privadas em volumes mais modestos, superávits comerciais menores e maior demanda por dólares para quitar dívidas no exterior podem trazer pressão extra ao mercado.