Apesar do forte do Sport ter sido o conjunto, alguns atletas foram fundamentais
Sílvio Criciúma e Ataliba
O volante Ataliba, 24 anos, estreou no Sport no Campeonato Pernambucano no final do primeiro turno. Atuou nos dois últimos jogos, mas a etapa da competição acabou ficando com o Santa Cruz. Mesmo assim, bastaram dois jogos para o torcedor do Leão notar que a proteção da zaga melhorou.
Depois foi a vez da chegada do zagueiro Sílvio Criciúma. O atleta jogou os últimos quatro jogos do segundo turno e ajudou o rubro-negro a quebrar um tabu de mais de dois anos sem vencer o rival Santa Cruz. "Lembro que cheguei e vencemos, além do Santa Cruz, Central, Itacuruba e Náutico. Só não enfrentei a AGA porque já havíamos conquistado o turno por antecipação", lembrou Criciúma.
Mas o que esses atletas têm em comum? Ambos foram responsáveis, seja na zaga ou no meio-campo, pela marcação no setor esquerdo do Sport e, com eles, a conquista do título pernambucano, deste ano, ficou bem mais fácil.
Encaixaram-se como uma luva no esquema de jogo do técnico Hélio dos Anjos e, se não bastasse, são homens de confiança do comandante leonino. "Me sinto apenas como um operário no time do Sport. Não sou pior e nem melhor do que ninguém", disse, com humildade, o gigante Ataliba, que já comemorou um título, em 99, jogando no Coritiba. "Fiquei lá por três meses e a minha passagem não foi em branco. Felizmente pude repetir a dose aqui no Sport".
Com um currículo bem mais recheado que o companheiro do sistema defensivo, até pela sua maior bagagem, Sílvio Criciúma, 31 anos, não conseguiu conter a alegria depois do seu 11º título conquistado. Foram três campeonatos pelo Criciúma/SC (91,93 e 95) e seis pelo Goiás: um tetra Estadual (97 a 2000), duas Copas Centro-Oeste (2000 e 2001) e um Brasileiro da Série B, em 99.
"Sempre fui um atleta que fiquei um grande tempo nos clubes que defendi. Foram cinco anos no Criciúma e cinco no Goiás. Depois, a média caiu e passei um ano na Portuguesa de Desportos, seis meses no Atlético, do Paraná e três meses no Santo André, de São Paulo. Agora, me adaptei ao Sport, a torcida évibrante, gostei da cidade e quero permanecer um bom tempo por aqui", confessou o zagueirão campeão.
Maizena
Para um jogador do Sport, em especial, pode-se dizer que a conquista do Campeonato Pernambucano foi uma vitória pessoal. Há um ano no clube, o goleiro Maizena pode bater no peito e dizer, com orgulho, que fez história na Ilha do Retiro. Não só pelas excelentes defesas que ajudaram a levantar a taça, mas, principalmente, por ter quebrado uma barreira e conquistado com muita qualidade e força de vontade a confiança dos torcedores, da diretoria e até do treinador que, por várias vezes, manifestou sua preferência pelo ídolo do clube, Bosco.
Jogador discreto fora de campo, de poucas palavras e uma afinada simpatia, Geraldo Carlos Burile, paranaense da cidade de Cascavel, 35 anos e com a experiência de quem já atuou por vários clubes brasileiros, superou todas as adversidades encontradas no Sport e carimbou o seu nome hoje no hall dos ídolos rubro-negros. "Este título é importante para mim porque eu vinha buscando o meu espaço dentro do clube. A conquista do Pernambucano vem coroar todo o meu esforço ededicação ao trabalho", disse Maizena.
A passagem do goleiro pela Ilha do Retiro não será esquecida facilmente. Depois de amargar a reserva por seis meses - durante o Brasileiro do ano passado - mesmo tendo mais qualidade que o então titular Marcones, Maizena só assumiu o posto de titular do Leão no início de 2003. Mas, logo em seguida, teve que conviver com o fantasma de um possível retorno do ídolo rubro-negro Bosco. "Realmente quando Bosco chegou foi o meu período mais triste aqui no Sport, pois sabia da qualidade e tudo que ele representava para a torcida e diretoria", relembra.
Mesmo assim, Maizena não se acomodou e travou uma briga saudável com Bosco pela camisa 1. A segurança mostrada na barra rubro-negra deu credibilidade ao goleiro junto ao elenco e aos torcedores. Maizena provou que podia envergar a camisa rubro-negra igual ou melhor que Bosco. "Em todas as chances que tive aqui no Sport eu correspondi. Estou vivendo um momento muito feliz", completou o goleiro, que coloca mais um título no seuvasto e vitorioso currículo.
Adriano Chuva e Papel
Quando foram contratados pelo Sport, Valdir Papel, que chegou primeiro, e Adriano Chuva acabaram, por causa dos apelidos, sendo gozados pelas torcidas dos rivais Náutico e Santa Cruz. Mas bastou a bola rolar no Campeonato Pernambucano para os alvirrubros e tricolores notarem que eles não estavam para brincadeira. Sem contar com a partida extra de ontem, quando o Leão sagrou-se campeão pernambucano após um jejum de dois anos, Papel marcou quinze gols na competição. Chuva balançou a rede um pouco menos e fez dez gols na competição.
Valdir Papel ganhou a torcida por ser habilidoso e frio na hora de marcar os gols. Já Adriano Chuva não é tão habilidoso como Papel, mas geralmente sozinho pelo lado esquerdo de campo - Valdir sempre teve o apoio de Carlinhos e Nildo na direita - Chuva aterrorizou as defesas adversárias jogando com raça e sempre levando o Leão ao ataque.
Mas um fato na competição deste ano o torcedor rubro-negro nunca mais vai esquecer: Adriano Chuva se chocou com um jogador do União São João, em jogo válido pela Série B, e fraturou o nariz. No retorno ao Recife, os médicos do clube afirmaram que o atleta teria que fazer uma cirurgia e poderia passar cerca de 40 dias afastado dos gramados.
Porém, logo em seguida, o jogador demonstrou muita raça e, ainda machucado, foi usado pelo técnico Hélio dos Anjos como um trunfo na primeira partida entre Sport e Santa Cruz, pelo quadrangular do terceiro turno, no Arruda. "Resolvi jogar naquela partida, no restante do Estadual e também da Série B porque aqui em Pernambuco é muita gente torcendo contra o Sport. Felizmente demos a resposta conquistando esse longo Campeonato Pernambucano. Agora, vamos em busca de mais um título: o da Série B", vibrou Adriano Chuva, logo após a conquista do Estadual, já sonhando com a volta do clube à Primeira Divisão do Brasileiro.
Já o atacante Valdir Papel disse que o sucesso da dupla também se deu principalmente pelas características bem distintas entre ele e Adriano Chuva. "No meu modo de ver, o entrosamento com Chuva foi excelente e ajudamos o Sport a ter várias vitórias no Campeonato Pernambucano. A minha técnica combinou, e muito, com a força e a velocidade de Chuva e espero que esse casamento bem sucedido entre nós permaneça por um bom tempo aqui na Ilha do Retiro", salientou Valdir Papel, que foi campeão estadual pelo Nacional, de Manaus, em 2000, pelo Ceará, em 2002, e agora pelo Sport. "Mas essa foi a primeira vez que levantei um título atuando como titular e artilheiro da equipe. Estou muito feliz com tudo isso, comemorou".
Cléber, Nildo e Gaúcho
Duas gerações de jogadores do Sport se encontraram no título pernambucano de 2003. O meia Nildo, 27 anos - bicampeão estadual 1999/2000 - e os pratas-da-casa Gaúcho, 22, e Cléber, 21, que sentem pela primeira vez o gostinho da conquista de um título como profissional. Uma junção perfeita de experiência e juventude, que leva novamente o Leão para a hegemonia do futebol pernambucano. Para Nildo, a conquista de ontem não poderia ter sido melhor. O jogador chegou a incrível marca de 200 jogos vestindo a camisa rubro-negra. "Graças a Deus comemorei esta excelente marca com um título", disse. A vibração do jogador tem um sentido especial. Nildo ficou afastado do futebol por 1 ano e 3 meses, depois que lesionou o joelho direito em uma partida com o Santos, na Vila Belmiro, em outubro de 2000. "Passei por uma situação muito difícil e tive vários problemas na recuperação".
Por isso, o título pernambucano tem um sentido todo especial para Nildo. "Esse momento que estou vivendo hoje é o melhor da minha vida. Uma situação muito especial, pois estou coroando o meu retorno ao futebol com a conquista do Estadual.
A mesma sensação é compartilhada por Gaúcho e Cléber. Para os dois, a temporada 2003 foi de consolidação de suas carreiras profissionais. Márcio Rodrigo Trombetta, além de titular absoluto do time há um ano, é o capitão da equipe e ainda vice-artilheiro do time. Gaúcho marcou 10 gols no Pernambucano, sem contar com a final. "Esse título teve um gostinho especial porque tive a oportunidade de levantar o troféu e entrar para a história do clube", afirmou Gaúcho, que tem apenas dois anos como profissional.
Já Cléber, que também tem o mesmo tempo como profissional, acredita que o título pernambucano vem coroar a evolução da garotada rubro-negra. Sem dúvida, a conquista do campeonato estadual dará mais credibilidade aos novos valores leoninos. Se Cléber e Gaúcho já vinham sendo pretendidos por clubes nacionais, a partir de agora, ficará mais difícil o Sport mantê-los no final do ano. "Esteano foi muito bom para mim. Fiz uma excelente Copa do Brasil e com esta conquista estou bem mais valorizado. Espero que as portas se abram".