MERCADO
SÃO PAULO - Após a quarta alta consecutiva, o dólar alcançou R$ 2,97 ontem. Esse é o valor mais elevado da moeda desde o dia 2 de junho. A alta do dólar ontem foi de 1,12%. Compras feitas por tesourarias bancárias e operações no mercado futuro voltaram a pressionar a cotação da moeda, como no dia anterior.
Desde o fim de março, o dólar não subia por quatro dias seguidos. Se não chegou a ser uma decepção, o resultado da operação da troca de títulos da dívida externa, realizada ontem pelo Governo - a principal notícia do dia para o mercado -, não agradou muito. A expectativa era de que a operação alcançasse os US$ 2 bilhões, mas envolveu um montante menor, de US$ 1,3 bilhão.
"A operação de swap (troca) ficou longe de ser um sucesso e alimentou a valorização do dólar. Todo mundo trabalha com um real mais desvalorizado até o fim do ano", afirma Alexandre Vasarhelyi, chefe da mesa de câmbio do banco ING.
Pelas projeções do mercado futuro, o dólar seguirá em alta. Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), ocontrato de câmbio com prazo em setembro fechou com cotação de R$ 3,02.
O dólar iniciou o mês custando R$ 2,84. No ano, a moeda dos EUA acumula baixa de 16%. Analistas não descartam algum peso das crescentes tensões sociais e políticas sobre o mercado, mas, avaliam, seus efeitos são marginais nesse momento sobre a cotação do dólar. A batalha do governo pekas reformas tributária e da Previdência e as invasões dos sem terra e sem teto são pontos que o mercado acompanha.
Cresceu a disputa entre "comprados" (investidores que se beneficiam da alta das cotações) e "vendidos" (que ganham com a queda da moeda) para influenciar a formação da média do dólar apurada diariamente pelo BC. Essa taxa serve de referência para a liquidação dos contratos de câmbio negociados.