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Funasa discute DST entre índios
COMUNIDADES
O aumento da incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids nas comunidades indígenas levou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) a realizar oficinas macrorregionais de treinamento para desenvolver ações de combate e prevenção das doenças nas aldeias. Para os técnicos da Funasa no Nordeste, o encontro acontecerá entre os dias 4 e 8 de agosto, em Maceió, devendo reunir técnicos dos distritos sanitários, das secretarias de Saúde estaduais e municipais onde o problema é mais grave. Doze representantes de Pernambuco participarão do evento.
Em todo o País foram registrados no ano passado 1.466 casos de DST nas aldeias. Em Pernambuco, de abril a junho desse ano, foram 68 registros entre os nove povos indígenas. De acordo com o analista de saúde indígena da Funasa, Antônio Fernando da Silva, existem 25 postos de saúde nos pólos-base de concentração das comunidades indígenas pernambucanas. Eles são operacionalizados por equipes multidisciplinares compostas por médicos, enfermeiros, odontólogos, auxiliares de enfermagem, agentes indígenas de saneamento, de saúde e de saúde bucal, que realizam inclusive visitas domiciliares. "Existe também um ponto de apoio técnico-administrativo dentro das aldeias", adiantou.
Apesar de toda a estrutura da Funasa, Silva admite que os casos de doenças sexualmente transmissíveis entre os índios ainda são subnotificados especialmente nos homens, que só procuram o serviço de saúde quando já estão sofrendo muito com a doença. A maioria tem vergonha de se expor e não aparece, dificultando o tratamento e a prevenção. Nas mulheres a identificação é mais fácil por causa dos exames preventivos aos quais elas são submetidas periodicamente. "Realizamos o controle de DST nas aldeias desde 99, e da Aids desde 2000, com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde, mas é com esse novo programa que teremos a um panorama real da incidência das DSTs e Aids nas aldeias", informa Antônio Silva. No Estado existem 30 mil índios espalhados em nove povos. A etnia mais numerosa é a dos Xukuru, em Pesqueira, com nove mil índios.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o primeiro caso de Aids entre os povos indígenas do Brasil aconteceu no final da década de 80. Juntamente com outras doenças sexualmente transmissíveis, o número de índios contaminados com o HIV vem aumentando a cada ano, mas ainda não existem estatísticas confiáveis no que diz respeito à quantidade de soropositivos. A Funasa é a responsável pelo atendimento de saúde indígena em todo o território nacional.
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