A Organização da Luta no Campo (OLC) anunciou para amanhã uma megaarticulação para coordenar cerca de dez ocupações em todo o Agreste e na Zona da Mata Sul do Estado. As principais cidades atingidas, segundo o coordenador do movimento João Santos, são Caruaru, Surubim e Pombos. João Santos explicou que com o ato pretende colocar cerca de mil famílias nas áreas escolhidas que ele garantiu serem improdutivas e já estarem escolhidas e mapeadas.
O coordenador da OLC contou que o objetivo do grupo é tentar assentar 3 mil famílias até o dia 25 de julho, próxima sexta-feira, dia do Trabalhador Rural. "Por isto vamos continuar programando as ocupações, pois sabemos que há muitas terras imrpodutivas no Estado", disse João Santos. O líder dos camponeses contou que a Organização da Luta no Campo, uma dissidência da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape) conta hoje com com mais de 1,2 mil famílias ocupando áreas invadidas em 12 fazendas e engenhos.
A última ocupação aconteceu ontem, quando cerca de 300 famílias ocuparam os engenhos Visgueiro, Limeira e Jundiá, todos no município de Panelas. Na verdade quase 200 famílias já viviam nestas terras há mais de um ano, com o consetimento do proprietário e prefeito do município, Sérgio Miranda. "Com esta ação estamos demarcando que estas propriedades precisam ser encaminhadas para a reforma agrária", avaliou João Santos. Sérgio Miranda, por sua vez, contou que as terras estão comprometidas em dívidas trabalhistas e financiamentos com o Banco do Brasil. "Se o Incra se entender com o Banco do Brasil e a Justiça do Trabalho, poderemos ceder à terra em pagamento das dívidas", revelou o prefeito de Panelas.
EXIGÊNCIA - Sérgio Miranda anunciou que hoje irá se reunir com os agricultores para discutir uma solução para o problema. Ele passou o dia ontem em Caruaru, no encontro do PFL - partido ao qual é filiado - mas pediu que funcionários fossem até os engenhos para acompanhar o que estava acontecendo. "Eles me disseram que os trabalhadores ruraissão mesmo de Panelas, este é o único cuidado que tenho. Aceito liberar as terras, mas desde que os ocupantes sejam todos da cidade", declarou Sérgio Miranda.