BRASÍLIA - Parte da base aliada governista na Câmara dos Deputados vai trabalhar para mudar o parecer da reforma da Previdência. A insatisfação foi gerada pela modificação de pontos do parecer, defendidos pela base aliada, momentos antes de sua apresentação pelo relator José Pimentel (PT-CE). O Palácio do Planalto quer votar o texto sem alterações.
"As alterações causam uma inquietação na base. O líder fica sem ter o que dizer. Ele diz que foi acertado isso, isso e isso, e depois não é. Isso enfraquece um partido como o PMDB, que é muito difícil de ser conduzido, e sinaliza que sempre há o que ser discutido", afirmou o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), que está na liderança (o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) está nos EUA).
Uma das mudanças feitas de última hora foi a redução do limite de isenção das pensões de R$ 2.400 para R$ 1.058. Acima desse teto haverá um acréscimo de até 70% da diferença. Outra alteração foi a fixação do subteto salarial para o Judiciário nos estados em 75% dos rendimentos dosministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na versão original do relatório o subteto era de 90,25%.
O texto foi modificado por pressão do Planalto, no esforço de manter acordo feito com os governadores para aliviar o caixa dos estados. Em troca, foi mantida a paridade de reajustes entre trabalhadores da ativa e aposentados para os atuais servidores. A questão principal para o PMDB e o PTB é reverter a redução do limite de isenção das pensões. Já o PL quer negociar o subteto salarial do Judiciário nos estados. O episódio também desagradou o PSB, o PPS e o PCdoB. Para o Governo o relatório é definitivo. "Votamos o parecer como está", disse o deputado Professor Luizinho (PT-SP), um dos vice-líderes do Governo. Ele minimizou a insatisfação da base aliada.