Edição de Sábado, 19 de Julho de 2003
 
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Miriam Leitão

Exportar e crescer

E-mail: paneco@oglobo.com.br

O saldo vai fechar em US$ 18 bilhões este ano, representando uma pequena queda em relação ao acumulado em doze meses em julho. Mas é, em parte, sazonalidade. No ano que vem, deve se manter em US$ 16 bilhões. É o que sustenta um estudo de Amadeo e Julio Callegari, da Tendências.

As exportações não vão despencar; o saldo vai reduzir um pouco, mas vai se manter. O câmbio está equilibrado. O déficit em transações correntes voltará, mas não é preocupante se ficar em 2,5% do PIB. Se quiser ter o déficit zero, o Brasil só cresce se aumentar a poupança. Decisões como a das tarifas de telefonia ameaçam as contas externas. Opiniões de Edward Amadeo e Armando Castelar

  Os dois economistas têm visões que divergem de algumas que estão sendo repetidas atualmente no mercado. Uma delas é a de que o dólar baixo demais está derrubando as exportações e vai reduzir fortemente o saldo comercial.

  O saldo vai fechar em US$ 18 bilhões este ano, representando uma pequena queda em relação ao acumulado em doze meses em julho. Mas é, em parte, sazonalidade. No ano que vem, deve se manter em US$ 16 bilhões. É o que sustenta um estudo de Amadeo e Julio Callegari, da Tendências.

  Neste estudo, afirmam que o câmbio não está apreciado para valores históricos. Estaria nos mesmos níveis de 1999 e 2000. Há uma idéia ainda repetida no Brasil de que a pauta de exportação está errada, porque o país só exportaria produtos primários que são os "produtos não dinâmicos".

  O texto de Amadeo e Callegari mostra que, entre 2000 e 2003, o setor agrícola ampliou seu superávit comercial em US$ 10 bilhões. Só a soja foi responsável por um aumento de US$ 5 bilhões.

  Em entrevista, Amadeo me disse que a análise contra a pauta de exportação é preconceito. "O terceiro maior item da nossa pauta de exportação é avião, o quarto é material de telecomunicações. O Brasil é o nono maior exportador de alimentos. Dos outros oito que estão na nossa frente, seis são do G-7. Deve ser interessante exportar alimentos", argumenta.

  O economista Armando Castelar, do Ipea, na mesma entrevista, quebra outra tese amplamente aceita. "Substituição de importação é contra promoção de exportação", afirma.

  Ele diz que é preciso aumentar as importações para alavancar as exportações. Quando o país faz a política de substituição de importação, ele acaba prejudicando as exportações. Amadeo concorda e dá um dado eloquente. "A Coréia é grande exportadora, mas, nos últimos 50 anos, ela teve déficit comercial em 35 anos. Ela importa muito para exportar muito. O aumento do volume de comércio reduz a vulnerabilidade externa, ao contrário do que se supõe".

  Nem Amadeo, nem Castelar apostam em crescimento forte da economia brasileira. Acham que ficará em 3% ao ano. "O governo não deve forçar a máquina. A velocidade de cruzeiro da economia brasileira é 3%", afirma Amadeo.

  "Para crescer mais do que isso, o Brasil precisa aumentar o investimento e a produtividade. De 94 para cá, houve um aumento forte de produtividade, mas o investimento ficou abaixo do que era na década perdida. O que limita a economia é a falta de investimento", diz Castelar, que dá também uma lista de outros afazeres para a economia voltar a crescer:

  Reduzir a informalidade, diminuir o spread bancário, desregulamentar (ele deu um exemplo de regulamentação estranha. No Brasil, só pode ser usado um tipo de vergalhão de aço em construção: o único que é produzido no Brasil); não pode haver ameaça ao direito de propriedade e é preciso reduzir o risco jurídico dos contratos.

  Castelar fez um estudo mostrando de 80% dos juízes

brasileiros acham que justiça social é mais importante do que cumprir contratos e mais importante do que seguir as leis. "O caso das telecomunicações atiçou a politização do Judiciário. É um passo atrás".

  Amadeo concorda que o grande risco agora é o microeconômico. "E engana-se quem pensa que o risco regulatório só provocará problemas no médio e longo prazo. O investidor não vem para o país onde as regras podem mudar. Isso faz cair o investimento direto, o que piora as contas externas. Afeta o país imediatamente. E o crescimento depende do investimento".

  Ambos acham que o governo fez um trabalho extraordinário em vencer a crise macroeconômica. "O dever de casa fiscal e monetário foi excepcional. Debelar uma crise de confiança é como lançar de um estilingue. Quanto mais força você fizer na resposta à crise, mais rápido e forte será o resultado. O Brasil criou as condições para a queda dos juros e eu espero que, na próxima reunião do Copom, o Banco Central possa ser o porta voz desta boa notícia derrubando os juros em dois pontos percentuais", diz Amadeo.

  Castelar também acredita na queda dos juros, mas lembra que tem que ser gradual ao longo do semestre.

DIRIGENTES da Petros, Funcef e Previ participaram de um seminário sobre Governança Corporativa na Holanda, na semana passada. Lá, eles também se reuniram com representantes dos maiores fundos de pensão holandeses, com os quais trocaram informações sobre o processo de decisão de investimentos.

ATENÇÃO: tem gente trabalhando para ampliar de 70 anos para 75 a data da saída compulsória do serviço público. Se for ampliada, amplia-se a permanência do ministro Mauricio Corrêa no Supremo, do qual tem que sair no fim do ano.

PRA não dizer que não falei de Previdência: a paridade só está garantida para quem conseguir a integralidade, explicao Ministério.

 








 

 
 
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