MONTADORAS
SÃO PAULO - O ministro do Trabalho, Jaques Wagner, confirmou que o Governo estuda a criação, em parceria com fabricantes de veículos e com trabalhadores, do chamado "carro do trabalhador", com preços mais acessíveis do que os carros populares. O objetivo é alavancar as vendas e evitar a crise no setor. A idéia, segundo Wagner, é financiar a compra de veículos para famílias de menor renda que queiram adquirir o seu primeiro carro ou trocar o mais antigo.
"O carro popular deixou de ser popular. Estudamos a abertura de uma linha de financiamento ou um modelo de consórcio popular para famílias com renda de até dez salários mínimos. A faixa ainda não está definida", disse. O preço dos carros populares (até mil cilindradas) varia hoje de R$ 14.790, custo do Uno Mille (modelo básico da Fiat), a R$ 33 mil - preço do Fiesta Novo Super Charge (modelo da Ford, que inclui acessórios).
Em 1993, quando foi criado o conceito de carro popular, as montadoras tiveram redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) de 14% para 0,1%. Após mudanças na tributação, hoje o imposto pago é de 9%.
O "carro do trabalhador", que vem sendo discutido pela Anfavea (associação das montadoras) e pelos metalúrgicos, prevê prestações fixas - em torno de R$ 300 - por prazos mais longos.
Para garantir juros baixos e vender mais veículos populares, o Governo estuda nova redução de incentivos fiscais. Outra proposta é diminuir o compulsório recolhido pelos bancos das montadoras para sustentar esse modelo de financiamento. Hoje, os bancos são obrigados a recolher ao BC 60% dos depósitos à vista, ou seja, sobram menos recursos disponíveis para empréstimos, o que torna o crédito para o consumidor final mais caro. Mas as negociações ainda envolvem o Ministério da Fazenda, o Tesouro e o BC.
De acordo com o presidente da CNM-CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos), Fernando Lopes, o consórcio popular pode ser uma saída para incentivar a venda de carros populares. "Poderia ser formado entre um grupo de amigos, familiares ou operários de uma empresa. O crédito poderia sair de cooperativas populares, que cobram taxas menores do que os bancos.'