Abandonar os veículos nos nove pontos de bloqueio, interrompendo todo o trânsito. Apesar de não ser divulgada oficialmente pelos dois sindicatos que representam os motoristas de lotação que circulam na capital - SindKombi e SindRecife - esta pode ser a estratégia adotada hoje como protesto contra a Lei 16.856, que regulamenta o transporte complementar e retira as lotações de circulação no Centro Expandido do Recife.
Bloquear os bloqueios pode ser apenas uma das táticas das duas entidades para marcar posição contra o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife. Outras sugestões apresentadas em assembléias realizadas no final de semana incluem o fechamento das vias de acesso ao Recife, a realização de carreatas e até mesmo passeatas com a participação dos familiares dos motoristas e cobradores ameaçados de desemprego. Do total de 1,2 mil kombis e vans que circulam no Recife, apenas 252 terão permissão oficial para continuar operando a partir de setembro.
"O que vamos fazer só divulgaremos momentos antes,para evitar que eles tenham tempo de se preparar", afirmou ontem o presidente do SindRecife, José Gonçalves. Eles, no caso, são os técnicos da EMTU e CTTU e, principalmente, o comando da Polícia Militar. José Gonçalves não revela o que foi discutido com cerca de 400 associados na assembléia realizada na sexta-feira à noite. A única garantia do presidente da entidade é de que a categoria não vai aceitar passivamente a decisão oficial de bloqueio dos acessos ao Centro Expandido do Recife. Hoje à noite, às 20h, o SindRecife programou uma nova assembléia no Atlático Clube de Amadores, em Afogados.
O presidente do SindiKombi, Amauri Soares, garantiu que não pretende radicalizar nos protestos de hoje, esperando que ainda ocorra uma negociação que beneficie os motoristas de lotação. "Não vamos entrar em conflito com a Polícia, mas pode acontecer o pior", alertou. A grande dificuldade dos dirigentes sindicais é tentar convencer os mais revoltados de que atos de violência e vandalismo só prejudicam a imagem dos kombeiros diante da opinião pública.
Foi o que aconteceu nos dias 2 e 11 de junho. No primeiro caso, um protesto que se pretendia pacífico, sendo inclusive negociado com a Polícia Militar, tranformou a avenida Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, em campo de batalha. De um lado, um grupo de 500 kombeiros revoltados com a ameaça de perder o emprego. Do outro, fechando o acesso à Ponte Motocolombó, 400 homens da PM, distribuídos entre efetivos dos batalhões de Choque, Radiopatrulha, Cavalaria, Canil, Operações Especiais e Policiamento do Trânsito. O resultado final: 12 pessoas detidas e três ônibus depredados.
No dia 11 de junho, um protesto de kombeiros no Centro do Recife resultou no bloqueio de ruas com barreiras de pneus e queimados e no incêndio de três ônibus. A Polícia Militar gravou conversa de diretores do SindRecife em que havia ordens para que supostos homens-bomba entrassem em ação. O sindicato nega esta versão.