Edição de Segunda-Feira, 14 de Julho de 2003
 

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Modernização

O sistema viário e o serviço de transporte coletivo do Recife estão a necessitar de um tratamento de choque. Nasce a idéia da presente rearrumação do serviço de transporte coletivo, agora que kombis e vans se acham adstritas a operar fora do centro da Capital e na ligação entre os bairros do interior recifense. Os coletivos tradicionais, os ônibus, ficam a partir de agora inteiramente livres da concorrência predatória que mais de um milhar de alternativos lhes impunha. Começa também para as empresas de ônibus uma espécie de teste final, de teste da verdade, ou seja, inicia-se agora, para elas, a prova cabal sobre se são de fato capacitadas a prover com segurança e pontualidade o transporte coletivo da Capital pernambucana, ou se vão de acomodação em acomodação deixando de cumprir, nos seus estritos termos, as obrigações que contrairam perante a autoridade pública.

  A população como usuária dos transportes coletivos e seus intérpretes - representantes do povo na Câmara Estadual, na Câmara Municipal, Governador do Estado, Prefeito da Capital, os jornalistas sobretudo - não tirarão os olhos de cima dos ônibus, para verificar a pontualidade, a segurança e demais itens que definem como satisfatório o serviço que se presta à comunidade. Nisto de pontualidade, as perguntas que principalmente se farão são estas: o trabalhador recifense que utiliza os ônibus consegue chegar sem atropelos ao trabalho na hora devida? Consegue voltar para casa, findo o expediente, pontualmente, ou fica no sereno por tempo indeterminado, todas as tardinhas? Outras perguntas singelas poderão também ser feitas, como, por exemplo, se os passageiros estão sendo transportados como gente ou como bicho. Vamos ver.

  Mas, agora que marcha para a definição o exasperante conflito entre o transporte tradicional através de ônibus e o chamado alternativo, é a hora de as autoridades públicas começarem a pensar mais profundamente no todo que o problema viário de uma Capital pressupõe. Chamemos de modernização ao novo esforço que se venha a fazer, no sentido de dotar o Recife de outros meios de transporte que não apenas o proporcionado pelos ônibus. Com ou sem kombis e vans nos itinerários principais, um dia chega a saturação dessas vias públicas, ou porque aumentou a circulação de automóveis, ou porque cresceu o próprio número dos coletivos. Temos que ter vistas para mais longe, para três e cinco décadas à frente, pelo menos.

  Na verdade, o metrô parece condenado a servir apenas o sul recifense. O rio Capibaribe, que poderia transportar barato a população de todo o vasto oeste de Caxangá, parece também condenado a uma fatalidade, servir tão só de cartão postal da luxuriante paisagem recifense. É pois necessário que, se existem projetos delineados para a ampla modernização do transporte populacional do Recife, que eles sejam expostos ao conhecimento da parte mais interessada no problema que é o povo. Será que não fomos capazes até agora de desenvolver um projeto que ao menos acene às populações de Abreu e Lima, Paulista e Olinda com a possibilidade de implantação de trens que as transportem ao Recife? No mundo inteiro, várias são as modalidades de transporte coletivo que convivem entre si, sem exclusões prejudiciais que inclusive atentam contra o simples bom senso.

  Tenham a palavra as autoridades a quem compete o transporte coletivo recifense.

Comentários dos leitores

"Estive lendo esta noticia justamente à procura de ajuda para os demandos da EMTU, que se diz uma empresa para viabilar os serviços públicos de transportes. Teve a infeliz idéia de retirar uma parada de ônibus que serve a toda uma comunidade e mais aos arredores, nos fazendo caminhar vários metros a mais, com crianças de colo, sacola, atravessar a ponte da Caxangá tarde da noite ou pegar o ônibus perto de um ferro-velho que é num local já conhecido por assaltos. Nós que trabalhamos na cidade de Camaragibe, como eu que preciso pegar transporte quatro vezes indo e voltando, iremos atrasar em torno de 20min, mexendo completamente com os horários no trabalho. Limitaram nossas linhas pra ir a cidade, que já era complicado, pois no horário de pique as pessoas são carregadas em comboios, uma em cima das outras. A integração do SEI Camaragibe e Macaxeira é outra falta de respeito, sempre com filas quilométricas, o cidadão tem que sofrer para ir trabalhar e depois de um dia de trabalho, passar uma via-sacra pra chegar em casa, já tarde e cansado pra recomeçar no outro dia. Essa notícia fala em vigiar os serviços públicos de transporte depois das retiradas das VANS e Kombis e realmente ficamos entregues as baratas, nas mãos da EMTU e donos de empresa de ônibus. Me sinto violada nos meus direitos de cidadã, o IPTU está aí, cobrando impostos por péssivos serviços a nós prestados. Isso eles sabem fazer bem feito. Na hora de mudar parada não houve nem uma consulta ou pesquisa com os usuários. Entra goela abaixo e pronto, o povão que se mude se puder...", Silvania Mª de Assis, por e-mail








 

 
 
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