Ainda em seu tempo, a expedição de Vicente Pinzón foi proclamada pelos mais ilustrados nomes da crônica histórica de então: Juan de la Cosa (1500), Piero Martir de Anghiera (1501), Ângelo Trevisano (1504); como se não bastassem os depoimentos do próprio Pinzón e de alguns homens de sua frota no processo conhecido como Probanzas del Fiscal, um pleito judicial movido por Diego Colombo, filho de Cristóvão Colombo, contra a Coroa de Castela para assegurar os direitos do seu pai. As audiências tiveram início em dezembro de 1512, em São Domingos, no Caribe, e se prolongaram até 1515, em Sevilha, na Espanha. No seu depoimento Vicente Pinzón afirma haver inicialmente aportado no cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.
Para Adolpho de Varnhagen, quando da publicação de sua História do Brasil, em 1854, o ponto de chegada de Vicente Pinzón na costa do Brasil seria a ponta de Mucuripe, no Ceará, que teria sido chamada de Rostro Hermoso, ao consultar o mapa de Juan de la Cosa (1501), o primeiro a representar a América, no Museu Naval de Madri. Com Varnhagen também concorda o almirante Max Justo Guedes que, escrevendo em 1975, sustenta o seu raciocínio ao sobrepor o mapa de Juan de la Costa sobre os contornos do litoral da costa norte do Brasil, proclamando Vicente YaÑez Pinzón como o primeiro navegador europeu a desembarcar oficialmente no Brasil.3
Com Varnhagen, porém, não concorda Capistrano de Abreu chamando a atenção de que Santa Maria de la Consolacion e Rostro Hermoso são dois pontos distintos no litoral do Brasil. Como prova apresenta a "capitulação que os Reis de Espanha assentaram em Granada com Vicente YaÑez, a 5 de setembro de 1501", onde se lê:
Tenenmos que en quanto nuestra merced e voluntad fuere ... vos el dicho Vicente YaÑez ... "seades" nuestro Capitan e Gobernador de las dichas tierras de suso nombradas desde la dicha punta de Santa Maria de la Consolation seguiendo la costa hasta Rostro Hermoso, é de alli toda la costa que se corre al Norueste hasta el dicho Rio que vos posites nome Santa Maria de la Mar-dulce. 4
Ao promontório avistado, situado a 8 graus de latitude austral, o navegante espanhol colocou o nome de Santa Maria de la Consolacion, mais tarde denominado, nas rotas dos portugueses e cartas náuticas do século XVI, de Santo Agostinho.5
Para os primeiros navegadores europeus que chegaram a costa de Pernambuco, a costa apresentava-se como sendo de terra baixa [com] muito arvoredo junto ao mar e parecendo alguns campos sem árvores, na observação do piloto português Luís Teixeira, in Roteiros de todos os sinais etc., ao elaborar o seu manuscrito entre 1582-1585.
Para o mesmo homem do mar, o Cabo de Santo Agostinho era o primeiro acidente geográfico, situado a oito graus e meio, avistado por qualquer navegador procedente da Europa, na costa brasileira:
Virei correndo a costa para o norte e terei aviso que se vir algumas barreiras ao longo do mar em demanda ao Cabo de Santo Agostinho, vê-lo-ei cortado e lança-se ao mar e faz um focinho como de baleia, em cima dele um monte, redondo de arvoredo, como cerca.
Um focinho como de baleia, fora a imagem que ficara nas retinas daquele experiente cartógrafo, quando de sua visão da costa pernambucana, ocorrida entre 1573 e 1578.