Os preparativos da frota de Francisco YaÑez Pinzón (c.1460
c. 1523), comandante da nau NiÑa quando da primeira viagem de Cristóvão
Colombo, têm início em 1499 no porto espanhol de Palos, na costa do
Mediterrâneo. Visando buscar novas terras no Atlântico Norte, Pinzón
reuniu alguns dos mais experientes homens do mar para, com eles, empreender
uma nova viagem de exploração às terras recém-descobertas. Com suas
próprias economias, consegue aparelhar uma flotilha de quatro caravelas
Pinta, Nina, Fraila e Vicente YaÑez , convidando para comandar três
delas os experientes pilotos Juan de Úmbria, Juan de Jerez e Juan
Quintero, que no passado já haviam participado das três primeiras
expedições de Cristóvão Colombo. Na nova expedição, que reunia um
total de 150 homens, trouxe também dois dos seus sobrinhos, Árias
Perez e Diomedes Fernandez Calmero, filho do seu irmão Martin Alonso
Pinzón (c.1440-1493), que fora comandante da caravela Pinta quando
da primeira viagem de Cristóvão Colombo.
Por essa época Colombo já houvera realizado três viagens àquelas terras
desconhecidas. A primeira em 1492-93, descobrindo às Bahamas, Cuba
e Haiti; a segunda em 1493-96, atingindo pequenas ilhas, além de Porto
Rico, Cuba e Jamaica; a terceira em 1498-1500, chegando a ilha de
Trinidad, na parte mais meridional das Antilhas, chegando a foz do
rio Orenoco.
Levantando âncoras a 18 de novembro daquele ano, no comando de sua
pequena armada, Pinzón partiu em busca do arquipélago das Canárias
e, de lá, rumou para o do Cabo Verde, permanecendo com os barcos ancorados
na ilha de Santiago por três semanas. A 13 de janeiro de 1500, partiu
no rumo sul-sudoeste e, após navegar cerca de 300 léguas, ultrapassou
a linha do Equador perdendo de vista a estrela polar Norte, que lhes
servia de guia.
Durante mais de uma semana, ele convivera em meio às incertezas e
intensas tempestades. A experiência o aconselhou a manter as proas
das embarcações na mesma direção, sul-sudoeste, e, ao sabor da corrente,
após navegar 540 léguas em 13 dias, vem finalmente avistarnovas terras
com seus contornos azulados.
Nas licenças concedidas pelos Reis Católicos para Vicente Pinzón descobrir
novas terras, foram excluídas as terras já anteriormente visitadas
por Cristóvão Colombo, daí a sua decisão de "afoitar-se além da linha
equinocial, em paragens não iluminadas pela estrela polar".
Francisco YaÑez Pinzón, por sua vez, vem a tomar posse da terra em
nome dos Reis de Espanha, logo determinando aos escrivães régios a
competente lavratura do ato jurídico, com a assinatura das testemunhas
presentes, de conformidade com a fórmula redigida por jurisconsultos
e teólogos espanhóis.
Concluídas as medidas de praxe, seguiu a expedição beirando a costa,
em direção ao norte, assinalando todos os acidentes e, mais tarde,
o que veio se chamar rio Amazonas, "a que deu o nome de Mar Dulce".Continuando,
ainda em direção ao norte, "chegou até o cabo Orange, a que deu o
nome de São Vicente, e ao rio Oiapoque, que se ficou chamando de Vicente
Pinzón; foi o último ponto do Brasil em que tocou".2
Apresença de Vicente YaÑez Pinzón na costa Norte do Brasil, três meses
antes do desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, na Bahia,
é fato aceitável por todos os estudiosos do período, muito embora
venha a ser pouco divulgado pela historiografia oficial.
Comentários dos Leitores
"Cristóvão Colombo era português, o que praticamente
já está confirmado. Mas mesmo que fosse genovês, como os italianos
querem fazer crer, ele ainda em 1472 era um modesto tecelão, aprendeu
em Portugal a navegar, foi aqui que se tornou piloto e ao casar na
Madeira com a filha de Perestrelo, herdou os instrumentos de navegação,
as cartas e os roteiros que possuía esse navegador. Logo o mérito
da descoberta da América é toda de Portugal! Não esqueçamos que o
piloto português Afonso Sanches descobriu as Antilhas, que indicou
a Colombo ao chegar à Madeira. Termino este breve comentário, fazendo
notar que antes de 1496, João Coelho correra a parte norte do Brasil
e estivera mesmo na América espanhola. E em 1498, o Rei de Portugal,
D. Manuel, mandou Duarte Pacheco descobrir, isto é, reconhecer o Brasil,
verificar os limites estabelecidos pelo tratado de Tordesilhas que
ele, um grande marinheiro e cosmógrafo, assinara também. É no "Esmeraldo
de Situ Orbis", o seu precioso livro de cosmografia e marinharia,
que nos revela essa importantíssima viagem ignorada até hoje oficialmente
aqui no Brasil. Investigando as viagens à América, destróem-se
as falsidades com que pretendem tirar dos Portugueses a glória da
descoberta, e apuram-se as expedições e os acontecimentos anteriores.",
Jorge Santos Ferreira, por e-mail