Edição de Segunda-Feira, 7 de Julho de 2003
 

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Os Holandeses em Pernambuco - Uma história de 24 anos

Francisco YaÑez Pinzón

Os preparativos da frota de Francisco YaÑez Pinzón (c.1460 c. 1523), comandante da nau NiÑa quando da primeira viagem de Cristóvão Colombo, têm início em 1499 no porto espanhol de Palos, na costa do Mediterrâneo. Visando buscar novas terras no Atlântico Norte, Pinzón reuniu alguns dos mais experientes homens do mar para, com eles, empreender uma nova viagem de exploração às terras recém-descobertas. Com suas próprias economias, consegue aparelhar uma flotilha de quatro caravelas Pinta, Nina, Fraila e Vicente YaÑez , convidando para comandar três delas os experientes pilotos Juan de Úmbria, Juan de Jerez e Juan Quintero, que no passado já haviam participado das três primeiras expedições de Cristóvão Colombo. Na nova expedição, que reunia um total de 150 homens, trouxe também dois dos seus sobrinhos, Árias Perez e Diomedes Fernandez Calmero, filho do seu irmão Martin Alonso Pinzón (c.1440-1493), que fora comandante da caravela Pinta quando da primeira viagem de Cristóvão Colombo.

Por essa época Colombo já houvera realizado três viagens àquelas terras desconhecidas. A primeira em 1492-93, descobrindo às Bahamas, Cuba e Haiti; a segunda em 1493-96, atingindo pequenas ilhas, além de Porto Rico, Cuba e Jamaica; a terceira em 1498-1500, chegando a ilha de Trinidad, na parte mais meridional das Antilhas, chegando a foz do rio Orenoco.

Levantando âncoras a 18 de novembro daquele ano, no comando de sua pequena armada, Pinzón partiu em busca do arquipélago das Canárias e, de lá, rumou para o do Cabo Verde, permanecendo com os barcos ancorados na ilha de Santiago por três semanas. A 13 de janeiro de 1500, partiu no rumo sul-sudoeste e, após navegar cerca de 300 léguas, ultrapassou a linha do Equador perdendo de vista a estrela polar Norte, que lhes servia de guia.

Durante mais de uma semana, ele convivera em meio às incertezas e intensas tempestades. A experiência o aconselhou a manter as proas das embarcações na mesma direção, sul-sudoeste, e, ao sabor da corrente, após navegar 540 léguas em 13 dias, vem finalmente avistarnovas terras com seus contornos azulados.

Nas licenças concedidas pelos Reis Católicos para Vicente Pinzón descobrir novas terras, foram excluídas as terras já anteriormente visitadas por Cristóvão Colombo, daí a sua decisão de "afoitar-se além da linha equinocial, em paragens não iluminadas pela estrela polar".

Francisco YaÑez Pinzón, por sua vez, vem a tomar posse da terra em nome dos Reis de Espanha, logo determinando aos escrivães régios a competente lavratura do ato jurídico, com a assinatura das testemunhas presentes, de conformidade com a fórmula redigida por jurisconsultos e teólogos espanhóis.  

Concluídas as medidas de praxe, seguiu a expedição beirando a costa, em direção ao norte, assinalando todos os acidentes e, mais tarde, o que veio se chamar rio Amazonas, "a que deu o nome de Mar Dulce".Continuando, ainda em direção ao norte, "chegou até o cabo Orange, a que deu o nome de São Vicente, e ao rio Oiapoque, que se ficou chamando de Vicente Pinzón; foi o último ponto do Brasil em que tocou".2

Apresença de Vicente YaÑez Pinzón na costa Norte do Brasil, três meses antes do desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, na Bahia, é fato aceitável por todos os estudiosos do período, muito embora venha a ser pouco divulgado pela historiografia oficial.

Comentários dos Leitores

"Cristóvão Colombo era português, o que praticamente já está confirmado. Mas mesmo que fosse genovês, como os italianos querem fazer crer, ele ainda em 1472 era um modesto tecelão, aprendeu em Portugal a navegar, foi aqui que se tornou piloto e ao casar na Madeira com a filha de Perestrelo, herdou os instrumentos de navegação, as cartas e os roteiros que possuía esse navegador. Logo o mérito da descoberta da América é toda de Portugal! Não esqueçamos que o piloto português Afonso Sanches descobriu as Antilhas, que indicou a Colombo ao chegar à Madeira. Termino este breve comentário, fazendo notar que antes de 1496, João Coelho correra a parte norte do Brasil e estivera mesmo na América espanhola. E em 1498, o Rei de Portugal, D. Manuel, mandou Duarte Pacheco descobrir, isto é, reconhecer o Brasil, verificar os limites estabelecidos pelo tratado de Tordesilhas que ele, um grande marinheiro e cosmógrafo, assinara também. É no "Esmeraldo de Situ Orbis", o seu precioso livro de cosmografia e marinharia, que nos revela essa importantíssima viagem ignorada até hoje oficialmente aqui no Brasil. Investigando as viagens à América, destróem-se as falsidades com que pretendem tirar dos Portugueses a glória da descoberta, e apuram-se as expedições e os acontecimentos anteriores.", Jorge Santos Ferreira, por e-mail








 

 
 
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