BIODANÇA
Tatiana Meira
DA EQUIPE DO DIARIO
Os efeitos da música no desenvolvimento da identidade estão diretamente relacionados com a filosofia da Biodança. Esta metodologia - que mescla exercícios de dança com o autoconhecimento e busca atingir a integração do indíviduo com ele mesmo, com o outro e com a sociedade - foi criada há mais de quatro décadas pelo chileno Rolando Toro. No Recife, a psicóloga e professora Lúcia Helena Ramos coordena aulas de Biodança em dois espaços e está iniciando novas turmas.
"As aulas não são pensadas para criar coreografias nem com o objetivo estético. Os movimentos que fazemos revelam quem nós somos e fortalecem nossos potenciais inatos, sem agredir ou reprimir as emoções", afirma Lúcia Helena Ramos, destacando que cada encontro dura cerca de uma hora e meia e prevê a execução de 12 a 15 exercícios da Biodança. "No início, também temos um momento verbal, onde as pessoas relatam suas vivências cotidianas", ressalta a psicóloga, lembrando que a metodologia está calcada em cinco pilares (vitalidade, criatividade, sexualidade, afetividade e transcendência).
Nas aulas, oferecidas na Escola de Biodança Rolando Toro, no Prado, os alunos se organizam em círculos, para reforçar o sentimento de comunhão. "Assim, quebro com a idéia de hierarquia e posso olhar os movimentos de todos os participantes ao mesmo tempo", explica a professora. Para guiar as várias fases da vivência, com instantes mais alegres e outros introspectivos ou de relaxamento, são utilizadas músicas escolhidas no repertório da MPB. "São músicas integradoras e a maioria é brasileira", revela Lúcia Helena. Milton Nascimento, Nana Caymmi, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Clara Nunes, Beth Carvalho, Chico Science e outras estrelas do cancioneiro nacional dividem a trilha das aulas com Pink Floyd, Beatles, Loreena McKennitt e obras clássicas de Bach. Vivaldi e Mozart.
O curso também é ministrado no Instituto Vida, no Arruda, para uma turma com adolecentes na faixa etária dos 13 aos 21 anos, provenientes de famílias de baixa renda, que praticam a Biodança nas sextas, pela manhã. O Instituto existe há quase 10 anos e atende 120 jovens para aulas de arte-educação e cultura. "Nosso objetivo é positivar a relação com as pessoas, reforçando o elemento saudável que existe nelas. Trabalhando em grupo é possível melhorar a convivência, o bem-estar e a auto-estima", defende a psicóloga.
Hoje com 78 anos, Rolando Toro virá ao Recife em novembro, para participar de um encontro sobre a metodologia que inventou e atualmente é praticada e ensinada nos Estados Unidos, Europa, África e Japão.
Serviço
Grupos regulares de Biodança
Onde: Escola de Biodança Rolando Toro de Pernambuco (rua Japecanga,
114, Prado)
Quando: Nas quartas-feiras, às 19h30
Informações: 3449.1447/ 3444.3774
Comentários dos leitores
"Nossa, como sinto saudades da biodanza, pois só eu sei o quanto
foi bom pra mim. Depois de ler essa matéria, a saudade aumentou.
Pra mim a biodanza é tudo.", Maria José, por e-mail
"Achei muito legal a matéria sobre a biodança, é um assunto sobre
o qual passo a me interessar mais a partir de agora. Percebi a consistência
da escola e fiquei feliz com o trabalho social que a escola também
faz no Arruda com adolescentes. Parabéns para as pessoas que fazem
a escola.", Auríbio Farias, por e-mail