DOENÇAS DE INVERNO
Não são só os deslizamentos de barreira que têm contribuído para gerar novos pacientes para as emergências do Recife. Desde o final de maio, o inverno tem aumentado em pelo menos 20% o atendimento na emergência do HR. O período de queda de temperatura e as mudanças bruscas de tempo favorecem o surgimento de doenças como asma, bronquiolite (virose que atinge bebês de até 1 ano), bronquite e pneumonias. "Não somos referência nesse tipo de atendimento, mas todo mundo vem para cá porque acha que o HR trata tudo", disse o chefe da emergência do Restauração, Gustavo Menelau. Dos 600 doentes atendidos em um plantão de 24 horas, cerca de 30% têm problemas relacionados a doenças respiratórias.
Mas é na emergência pediátrica do HR que o aumento do número de atendimentos pelas doenças de inverno é mais visível. "Dos 100 registros normais do plantão, passamos a ter entre 150 e 160 ", reconheceu o chefe do serviço, José Carlos Travassos. Na urgência do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), o incremento do total de atendidos por pneumonias, doenças respiratórias e viroses associadas ao período chuvoso ultrapassa os 50%. "Dos 120 internamentos ocorridos desde o início de junho na emergência, 43 foram por pneumonias, 7 por doenças como asma, bronquiolite, asma brônquica, e insuficiência respiratória aguda e 11 por outras viroses, que causam diarréia", adianta a vice-coordenadora da emergência do Imip, Conceição Correia. Somente os casos mais graves, quando a criança passa por sofrimento respiratório, é que necessita de internamento para observação nos 23 leitos da emergência do Imip.
Na emergência pediátrica do Hospital Barão de Lucena (HBL), a situação não é diferente. O serviço viu sua média de atendimento saltar de 300 crianças por dia para 350 a 400. "Quando não temos como atender, transferimos os pacientes para outros locais como o Imip, o HR e outras unidades de referência conveniadas ao SUS", explica o diretor do HBL, Jairo Barbosa.
As recomendações dos médicos para prevenir doenças da ápoca em crianças e adultos é evitar lugares com aglomeração de pessoas, ingerir bastante líquido e usar soro fisiológico nasal para facilitar a eliminação das secreções nos casos de gripes. Quando surgir febre (acima de 38 graus), tosse, falta de ar ou respiração difícil, vômito, dificuldade de ingerir alimentos e líquidos e diarréia, a pessoa, especialmente se for criança, deve ser levada ao médico imediatamente. "O quadro viral se caracteriza com cinco dias de apresentação dos sintomas, mas a criança deve ser encaminhada ao serviço de saúde no segundo dia", recomenda a pediatra Conceição Correia, do Imip.