Brasileiro participou do iSeminar e falou para fãs da trilogia Matrix sobre os recursos tecnológicos usados
Eduardo Gurman é o brasileiro que participou da equipe de efeitos especiais dos filmes Matrix Reloaded, Matrix Evolutions, da série Animatrix e ainda do jogo Enter the Matrix. Desde que voltou de Los Angeles (EUA), Gurman participa de palestras para contar sua experiência na indústria cinematográfica e é tratado como uma espécie de superstar, sempre dá autógrafos e posa para fotos ao lado dos fãs. Semana passada, ele esteve no Recife participando do iSeminar, evento promovido pela iMedia, e falou para mais de 800 pessoas. E, claro, as cenas de assédio se repetiram.
Formado em desenho industrial, Gurman trabalhou com produção e pós-produção de filmes de propaganda e também como rádio/tv de uma agência publicitária (responsável pela escolha dos diretores e produtoras para os filmes da agência). Até que decidiu ir fazer mestrado no American Film Institute, uma das melhores escolas de cinema do Mundo. "Tive aulas com profissionais da Pixar, Disney, Sony, Digital Domain, entre outros, e também com o diretor David Lynch e com o ator Edward Norton", conta. Quando terminou o curso, Gurman foi indicado por um colega de turma a fazer o teste para uma produção cinematográfica, mas não tinha idéia de que se tratava de Matrix.
"Conversei com a pessoa que fazia a seleção e ela disse que eu participasse de uma capacitação de duas semanas que depois verificaria se eu estaria apto ou não para a função", comenta. Final do prazo, ele voltou a falar com essa pessoa e foi chamado para assinar o contrato. "Eram dez páginas e só na terceira falava que era o Matrix. Imagine minha surpresa!". Logo depois, Gurman começou a trabalhar na produção num hangar do aeroporto de Santa Mônica, na Califórnia. "Tudo era cercado de sigilo, tínhamos várias senhas para ter acesso ao local e não podíamos contar nada até o lançamento do filme", diz, acrescentando que o segredo continua valendo para o último filme da série, o Matrix Evolutions.
EFEITOS - Gurman trabalhou com a equipe responsável pela motion capture - aquela tecnologia em que os movimentos das pessoas são capturados a partir de sensores fixados em seus corpos. Foi a mesma tecnologia usada para dar vida ao personagem Gollun, de O Senhor dos Anéis. "O animador captura as imagens, faz a modelagem do corpo, coloca a textura do objeto e a iluminação da cena", explica Gurman. O trabalho dele foi justamente o de capturar as cenas para os filmes, para o Animatrix e para o game. "Nós, quando fazíamos o trabalho, não sabíamos para que mídia seriam usadas, Às vezes, a mesma cena era aproveitada para duas mídias. Passamos três meses para fazer a captura e as cenas só foram finalizadas em nove meses", comenta.
A cena mais difícil de ser feita foi a em que Neo, personagem de Keanu Reaves, lutou com várias cópias do ex-agente Smith. "Nós tínhamos que capturar os movimentos de 25 atores e era muito complicado identificar as pessoas e também os pontos dos sensores", justifica. Gurman diz que 10 segundos daquela cena, que tem seis minutos no total, demoravam sete dias para serem capturados. A finalizaçãolevou de cinco a seis meses. Durante o iSeminar, no Recife, ele comentou sobre os efeitos especiais de diversas cenas do Matrix Reloaded e respondeu a perguntas dos participantes.
Quando o trabalho no projeto Matrix terminou e o mercado cinematográfico norte-americano teve uma queda na produção por causa dos atentados de 11 de setembro, Gurman resolveu voltar ao Brasil. "Todo mundo em Los Angeles trabalha para o cinema. Lá eu era mais um e, aqui, sou alguém". No Brasil, ele abriu uma produtora e voltou a trabalhar com comerciais e vinhetas para programas televisivos. Também passou a dar aulas para os cursos de Desenho Industrial e Propaganda na Universidade do Mackenzie, em São Paulo, onde se formou. "Agora, meu principal projeto é o piloto de um programa infantil que misturará animação em 3D e marionetes", conta, animado. (A.P.)