Rural
Janeiro de 1998. Mês que não será esquecido facilmente pelos produtores de leite de Caruaru e da região Agreste de Pernambuco. Naquela época os micro-produtores começavam a amargar uma das piores crises econômicas de sua história, em decorrência, principalmente, à privatização da Companhia Industrial de Pernambuco (Cilpe), que, com a administração privada, reduziu o valor na compra do litro de leite de R$ 0,38 para R$ 0,25. A baixa, aliada às constantes secas daquela década, significou numa redução efetiva superior a 35% nos ganhos dos produtores.
Partindo desse contexto desfavorável, configurado há cinco anos na região, surge a Cooperativa dos Produtores de Leite de Caruaru Ltda. (Copecal). A união significava bem mais que uma simples recíproca busca de interesses em comum; era a lei da sobrevivência e da possibilidade de competir com empresas multinacionais e com as políticas governamentais que em quase nada apoiava o pequeno produtor.
Hoje, a Copecal produz três mil litros de leite pasteurizado integral, tipo C, por dia e lidera o mercado local com a marca Unileite, adquirida por arrendamento em 1999. A cooperativa também prepara mais cinco novos produtos: a qualhada, os leites achocalatado e light, iogurte, unicitrus (bebidas cítricas) e o creme de leite. Todos devem figurar nas prateleiras até o final do ano.
A Copecal possui 20 cooperados de quatro municípios da região. Além de Caruaru, as cidades de São Caetano, Bezerros e Agrestina também são representadas por produtores, que, ao total, geram cerca de 150 empregos diretos e indiretos. Segundo o diretor técnico Anselmo Pereira, as parcerias são fundamentais para os resultados da Copecal e desenvolvimento e segurança da bacia leiteira local. Ele avalia que, sem os apoios, seria impossível atingir esse sucesso nesse curto espaço de tempo. "Nossos resultados são muito satisfatórios. Mas, para isso, podemos destacar a nossa inserção em programas como o da merenda escolar da Prefeitura de Caruaru (que adquiri 2,5 mil litros/semana) e o programa Leite de Pernambuco (que adquiri 1,55 mil litros/dia), como fundamentais; além das parcerias com o Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Sebrae".
Anselmo explica que, segundo pesquisas, "a bacia leiteira em Pernambuco só é suficiente para 1/3 de seu consumo imediato, suportando investimentos que resultem num volume produzido com todos os benefícios sociais e econômicos", conta.
Além de possibilitar a formação desse banco de dados, a pesquisa vai ajudar a Copecal a desenvolver seu apoio aos produtores leiteiros da região. "Apoiamos toda a tecnologia do campo, como a ordenha mecânica e o resfriamento do leite em geladeiras. Isso, aliado ao trabalho de melhoramento genético da bacia leiteira, vai aumentar a produção, ampliando a qualidade do produto final, gerando renda e bons negócios para o produtor. Temos de levar em conta que o setor tem o menor custo da agroindústria".