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Programa garante acesso à escola
CABO
As terças e quintas-feiras são os melhores dias da semana para Maria da Conceição Rocha da Silva, 11 anos. Moradora da Cohab, na periferia do município do Cabo, Ceça está entrando na pré-adolescência, mas nunca tinha estudado. Ela tem hidrocefalia e não pode andar sem a ajuda de uma cadeira de rodas. Há um mês começou a aprender a ler e escrever através do programa Busca Ativa, onde um professor vai até a casa da criança que por algum impedimento está ausente das unidades escolares do Cabo. Com base em programas desse tipo, hoje a cidade apresenta números que a colocam na posição de primeira no Nordeste a ter todas os jovens (7 e 14 anos) na sala de aula.
O patamar alcançado pelo Cabo começou a ser galgado em 1997, quando foi implantado o programa Escola para Todos. A idéia consistia em construir e ampliar as unidades escolares. Em 2001, com o objetivo alcançado, partiu-se então para a construção do Mapa da Escolarização do Município, uma tentativa de erradicar o analfabetismo no município.
O passo a seguir foi reunir jovens egressos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), além de lideranças e agentes comunitários dentro do Busca Ativa, iniciado em janeiro passado com o pro propósito de localizar todas as crianças que ainda estavam fora das salas de aulas. "Entre as encontradas, havia cinco casos de meninos e meninas com algum tipo de deficiência e sem condições de locomoção (que estão sendo acompanhados em casa por uma professora), além de outros 18 que passarão por um ambulatório no dia 27 para receberem um diagnóstico médico e encaminhamento ou não para uma sala de aula", explicou a secretária de Educação, Ana Selma Santos.
A professora Marilene Ramos passou 16 anos ensinado na rede municipal do Cabo e hoje é a única professora itinerante contratada. "Atendo os cinco alunos nos bairros da Cohab e São Francisco e sou sempre recebida com festa. Para mim é muito gratificante", comentou. O caminho ela faz metade de bicicleta, com a ajuda do marido, e a outra metade a pé. "Não sei andar de bicicleta, tenho medo. Além disso passo por ladeiras muito íngremes", relata. Ceça conta que está satisfeita. "Gosto de pensar, de escrever e de fazer letras. Acho minha professora ótima", comemora.
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