Ensaio Geral
Teatro Santa Cruz, São Paulo, 15h da última segunda-feira. A apresentadora do Ensaio Geral, Lorena Calábria, e o cantor Roberto Frejat estavam no maior papo havia já uns bons 30 minutos quando André Vaisman, diretor do programa do Multishow, interrompeu a gravação. O motivo foi explicado a Lorena pelo ponto eletrônico e comunicado por ela ao entrevistado e à platéia: "Gente, houve um problema com o meu microfone e teremos que recomeçar...". O incidente, corriqueiro em gravações de TV, teve um sabor especial: é que a equipe estava um pouco tensa, no mínimo mais atenta, porque naquele dia estavam sendo produzidos os dois primeiros programas da nova fase do Ensaio Geral. A partir de julho, o programa terá platéia, que poderá fazer perguntas, e show do convidado. "A gente está muito formal", disse Lorena a Frejat, e os dois prontamente se acomodaram com menos cerimônia em suas cadeiras.
O programa, que ainda foi reiniciado uma outra vez, acabou ficando informativo e descontraído. Frejat, estrela da segunda edição da nova fase, falou de sua carreira solo, revelou que ainda tem duas canções inéditas de Cazuza no baú e contou que em 2004 o Barão Vermelho volta a se reunir. Nando Reis, que contou sua saída dos Titãs com detalhes, também gravou naquele dia no Teatro Santa Cruz, e estará no programa de estréia, em 2 de julho, às 21h45. O Ensaio Geral agora é feito pela produtora Espaço Geral, de André Vaisman, que durante oito anos militou na MTV. "O Ensaio Geral já tem tradição de conteúdo editorial forte: a Lorena conhece música, e os músicos conhecem o programa. Quando me chamaram, eu quis uma melhor qualidade musical: os shows estão sendo gravados em 36 canais, coisa que nenhuma outra emissora faz", diz ele.
Por causa de um engano na impressão dos convites, o público foi pequeno na segunda-feira. Pequeno, mas participativo. A estudante Ana Cláudia Silva Mello, de 15 anos, só saiu do teatro após falar com Nando Reis, seu maior ídolo. Mas, fã de todo tipo de música, chegou a corrigir Frejat quando ele tropeçou na letra de Homem Não Chora, uma das canções de seu novo disco. Os próximos programas deverão ter público de cerca de 450 pessoas, a lotação do teatro. André Vaisman diz que sua função será esquentar a atração: "A platéia cria um clima de aconchego e as perguntas feitas aos músicos terão caráter crítico".