SÃO PAULO - A redução nas taxas de juros não apaziguou os representantes do setor industrial. Pelo contrário. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sustentou que a decisão foi "correta", mas cobrou redução dos depósitos compulsórios (recursos que as instituições financeiras são obrigadas a manter no Banco Central). De sua parte, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) qualificou como "frustrante" a decisão do BC e afirmou que ela "agrava o quadro de recessão".
Para economistas e empresários a decisão do Copom foi considerada apenas "simbólica" ou "cosmética". O ex-diretor de política monetária do Banco Central e economista do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas, disse que a queda foi uma maneira do BC mostrar que "não está insensível às pressões da sociedade, já que o setor produtivo está entrando em pré-recessão".
O economista avalia que a pequena redução pode ser interpretada também como sinal de intenção de elevação, em breve, da meta de 8,5% definida para a inflação(IPCA) deste ano. "Enquanto a meta, que já é inalcançável, não for revista, não há como ocorrer uma queda mais intensa nos juros", disse. Para ele, a queda definida hoje (18) "terá um efeito cosmético e só ajuda a dívida pública a subir um pouco menos".
Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, diz que a redução da taxa Selic tem apenas efeito psicológico na economia. "Na vida real não muda nada. O comércio dificilmente vai mexer nas taxas de juros porque a inadimplência está crescendo", afirma.
CUT e Força Sindical consideraram "insuficiente" e "falta de ousadia", respectivamente, a decisão do Copom de reduzir em 0,5 ponto percentual a taxa de juros básica da economia.