Edição de Terça-Feira, 17 de Junho de 2003
 
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Diva do black music mais intimista

Disco

"Preferi não forçar a voz, preferindo que ela soasse como um veludo", avisa a cantora paulistana Paula Lima ao comentar o novo CD, que tem seu próprio nome no título. Diva da nova black music brasileira, ela chega cuidadosa ao segundo trabalho solo (o primeiro na gravadora Universal), menos voltado para a pista de dança e mais intimista, situado na MPB.

  Paula Lima já provou que é craque nos altos tons, mas agora quer simplesmente vencer pela sutileza. "O expressionismo vocal às vezes soa como um excesso. Pensei muito nisso na hora de definir a maneira como minha voz entraria no disco. Optei pela disciplina, investindo mais na suavidade e experimentando uma certa rouquidão", justifica a artista, frustrando quem estava aguardando os contorcionismos vocais aos quais ela é normalmente associada. "Todo mundo sabe que eu gosto muito de festa, mas desta vez preferi demonstrar que tenho um lado intimista."

  No novo disco, a cantora chega a passear pela bossa nova e até canta uma música de Dorival Caymmi, contrariando possíveis expectativas de quem a conheceu na banda Funk Como Le Gusta ou como backing vocal da dupla de rap Thaíde e DJ Hum. Não se deve pensar, contudo, que o disco tem clima de baixo astral, já que do suingue e do samba Paula não consegue se separar. Segundo ela, "o disco não é melodramático. Não quero que as pessoas sofram ouvindo as músicas, apenas se sintam bem".

  Única exceção, dançante mesmo é a primeira faixa, Gafieira S.A., assinada pelo carioca Seu Jorge, que resgata o clima dos bailes black. O hip hop dos tempos de Thaíde e DJ Hum só se manifesta de passagem, numa rápida participação do rapper Happin Hood em Quatro. Pros que não conhecem toda a potência da voz da cantora, Estou Livre, que remete aos coros gospel norte-americanos, abre essa concessão.

  Jorge Ben, a grande influência do disco, tem duas músicas suas gravadas por Paula Lima. Uma delas, Meu Guarda-Chuva, que nunca foi gravada pelo compositor, merece um capítulo à parte na carreira na cantora. A canção foi redescoberta por ela, que sugeriu sua inclusão no disco da Funk Como Le Gusta, tornando-a uma das músicas mais famosas da banda paulista. Sucesso em pistas de dança na voz de Paula, a música teve suas versões antigas redescobertas pelo público e ainda foi regravada por Jair Rodrigues e remixada pelo DJ Patife.

  Mesmo assim, ela achou tudo isso pouco e resolveu regravá-la, numa versão mais pausada, procurando evitar redundâncias. "Meu público reclamou porque eu não a cantei em meu primeiro disco solo. Eles procuravam Meu Guarda-Chuva no repertório e não encontravam. Resolvi gravá-la para fazer justiça a eles. Além disso, quando a gravei com o Funk, eu estava sendo a primeira banda paulista a contribuir para o resgate do samba-rock, pois essa retomada ainda não havia contagiado os músicos daqui".








 

 
 
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