(Atualizado no dia 15/06/2003)
 
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Inimigo quase invisível é terror para alérgicos

ÁCARO

Você não precisa esperar desenvolver uma alergia para exercitar alguns hábitos importantes de higiene doméstica com mais rigor. Cuidados pouco freqüentes como limpar periodicamente o estrado das camas, colocar o colchão no sol, a cada vinte dias, e manter a despensa arrumada e livre de restos de alimentos e poeira são determinantes para conter a proliferação exagerada do ácaro, um carrapato, parente das aranhas, que gosta de viver no escuro, em lugares protegidos e úmidos. As fezes desses animais são responsáveis por nada menos que 80% das alergias respiratórias no Brasil. "Trinta milhões de pessoas sofrem de alergias respiratórias no Pais. Isso da a dimensão a ação dos ácaros", diz o alergologista Celso Henrique de Oliveira, do ambulatório de alergia do Departamento de Pediatria da Universidade de Campinas (Unicamp), São Paulo.

  O especialista, juntamente com a bióloga Raquel Soares Binotti, também da Unicamp, realizou um mapeamento dos pontos críticos da casa onde a infestação dos ácaros é maior. O estudo foi feito a partir da aspiração da poeira de locais específicos de 58 residências da cidade de Campinas. Foram encontradas 18 espécies do carrapato. Em 70% das amostras, porém, prevaleceram dois tipos: o Dermatophagoides (que se alimenta das escamas da pele humana) e o Blomia tropicalis.

  Os ácaros chegam a viver 100 dias e cada fêmea põe, em media, 400 ovos durante a vida. Um ser humano, segundo o médico, e capaz de soltar da pele cinco gramas de poeira por semana. Essa poeira é formada por escamas, que são um verdadeiro banquete para os ácaros. Eles, por sua vez, defecam no ambiente e suas fezes (extremamente leves) acabam afetando o sistema respiratório dos alérgicos.

  Pela ordem de gravidade, os locais da casa onde mais se encontram ácaros são: a parte de baixo do colchão, próxima ao estrado (com três vezes mais ácaros que a parte de cima); o sofá (especialmente por conta das migalhas de alimentos que se come sobre ele); tapetes e carpetes; despensas (que tem sacos de mantimentos abertos e poeira); ecortinas. Durante o estudo, alguns números impressionaram. Foram encontrados, por exemplo, 40 mil ácaros em um grama de poeira em um colchão.O apartamento onde a amostra foi recolhida era ocupado por um jovem solteiro, que morava sozinho.  

UMIDADE - Para o alergologista, é possível que no Recife exista uma dificuldade maior de controlar a proliferação de ácaros por conta da alta umidade do ar. Entretanto, quem quiser saber qual o índice de ácaros existente em casa usando a metodologia da pesquisa da Unicamp pode entrar em contato com os pesquisadores através do seguinte endereço: avenida Orosimbo Maia, 570, sala 51, CEP 13023-001, Campinas, São Paulo. Telefone, (19) 3233-5319.








 

 
 
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