HOMEM MODERNO
LONDRES - Uma respeitada equipe internacional de cientistas desenterrou fósseis de 160 mil anos na Etiópia que estão sendo apresentados como os mais antigos representantes do homem moderno. Os fósseis de dois adultos e de uma criança, descobertos na vila de Herto, a 255 quilômetros de Addis Abeba, preenchem uma importante lacuna no conjunto de fósseis que narram a história da evolução humana. Segundo os pesquisadores, são o elo que faltava entre os hominídeos africanos e os primeiros homens modernos.
A coleção também prova que o homem moderno conviveu com o homem de Neanderthal e fortalece a teoria de que os seres humanos surgiram e evoluíram na África, antes de espalharem-se para outras partes do planeta.
"Agora temos uma grande seqüência de fósseis que mostra que evoluímos na África e não em todo o globo", disse Tim White, paleoantropólogo da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, que chefiou a equipe.
Em dois artigos publicados na revista científica britânica Nature, White e pesquisadores da Etiópia e outros países descrevem os fósseis, que foram achados junto a antigas ferramentas e restos de grandes animais.
Pedaços do crânio e dentes de sete outros indivíduos também foram encontrados. O crânio mais completo é o de um homem adulto, com dentes altamente desgastados. "Os fósseis da criatura que chamamos Homo sapiens edaltus são únicos porque são os mais próximos do homem moderno", disse Berhane Asfaw, paleontólogo do Serviço de Pesquisa do Vale do Rift, na Etiópia, em uma entrevista coletiva em Addis Abeba.