DANÇA
Com 32 anos de experiência, uma das principais companhias de dança do País resolveu se debruçar sobre a cultura popular do Nordeste brasileiro. Depois de estrear em Porto Alegre, com duas apresentações no Theatro São Pedro, na semana passada, o espetáculo Stagium Dança o Movimento Armorial, do Ballet Stagium, deve chegar ao Recife em agosto ou setembro, dentro da turnê do grupo pela região. "Arregimentei o máximo de informações, pesquisando desde a música e cordéis à literatura de Ariano Suassuna", detalha o coreógrafo Décio Otero, que contabiliza mais de 100 criações para a cia. paulista.
O primeiro contato de Décio com o Movimento Armorial aconteceu em 1979, quando ele utilizou uma música de Cussy de Almeida no balé Coisas do Brasil. "Desde então, sempre sonhei e quis montar um espetáculo com base no Movimento Armorial, que é tão importante, mas pouco conhecido no Sul e Sudeste do País", conta ele, que fez questão de inserir na trilha sonora, pinçada do universo do Quinteto e da Orquestra Armorial, fragmentos mixados da obra de músicos contemporâneos, como Stockhausen e John Cage.
A linguagem contemporânea do espetáculo não exclui momentos onde a coreografia se volta para o popular. Portanto, um dos pontos mais emocionantes é quando os bailarinos - caracterizados como bonecos de barro semelhantes aos de mestre Vitalino - contam, através dos movimentos, três histórias de cordel: a do Pavão Misterioso, a de Tristão e Isolda e a do Baile Medieval. "O público sente o impacto destas cenas, porque embarca na música e vê-se diante dos bonecos", descreve Décio, comentando a reação da platéia gaúcha.
No elenco, estão 18 bailarinos, mas a equipe em turnê é de 24 pessoas. Além de Décio, quem comanda o Stagium é a coreógrafa Marika Gidali, que nesta montagem fez a análise dos textos que serviram de fonte de inspiração. Os espetáculos de rua, a cerâmica, a gravura, a tapeçaria e a pintura do Armorial também foram analisados para a elaboração da nova encenação da companhia. (T.M.)