Padrinhos de peso participam da festa, hoje à tarde
Tatiana Meira
DA EQUIPE DO DIARIO
A habilidade em empunhar as baquetas impressiona, apesar da pouca idade de alguns. Juntos, eles produzem sons de tambores e instrumentos de percussão com entusiasmo superior ao de músicos de bandas experientes. Mas os integrantes do projeto Usina começaram há menos de quatro anos, numa escola estadual no Morro da Conceição. Ficaram sem lugar para ensaiar, o que não diminuiu a vontade de continuar tocando e aprendendo.
Instalados há pouco mais de um mês numa casa na beira do rio Capibaribe, pertinho do Poço da Panela, eles conseguiram padrinhos de peso, que se reúnem na tarde deste domingo para uma festa que simboliza o batizado do projeto. "Queremos ser uma usina de idéias, um lugar para moer conhecimento. Trabalhamos com a auto-estima das crianças e adolescentes, para que eles sejam valorizados e consigam se fortalecer, tocar profissionalmente, vender o que produzem", argumenta Wilson Farias, responsável pelas oficinas de percussão e coordenador do projeto, ao lado de Ana Carvalheira.
RECICLAGEM - Outra oficina oferecida é a de educação ambiental, comandada por Altamiza Melo, que ensina os meninos a reciclar lixo e sucata, transformando garrafas de plástico e outros objetos descartáveis em produtos artesanais e cestas. Um dos planos da Usina é montar também uma sala para aulas de informática, com cinco computadores. Turmas com literatura de cordel e artes plásticas são mais algumas alternativas de cursos imaginados para o projeto. Enquanto eles não arranjam tantas oficinas de "dar na canela", o objetivo é ampliar o número de aprendizes para 60 alunos. Hoje são cerca de 20 meninos e meninas do Morro da Conceição e mais 20 da Vila Esperança, no bairro do Monteiro e arredores. Aos sábados, acontecem oficinas de percussão para pessoas de classe média, o que, em paralelo às festas, é uma outra maneira de arrecadar recursos para um projeto que está no embrião. Para se inscrever neste curso do sábado basta levar uma foto 3X4 e mais R$ 40,00, correspondente à primeira mensalidade.
Por estarem engajados neste corredor de conhecimentos, os meninos da Usina já tocaram em shows em empresas, casamentos, nos blocos Quanta Ladeira e Guaiamum Treloso, no Carnaval. Uma bagagem que anima e incentiva participantes como Paulo Ricardo Brito da Silva, de 15 anos, que cursa a 5ªsérie na escola e está no projeto desde o início. "Antes não sabia tocar nada. Agora sei quase tudo: agogô, tambor e por aí vai", exclama o garoto, que sonha em ser professor de percussão no futuro. Para Windson Alves de Souza, de 21 anos, são oportunidades como esta que vão mudando as personalidades de quem vive no subúrbio. "Fiz uma oficina com Wilson no Parque de Santana e depois fui acompanhá-los no Morro. Descobri que aqui posso tirar mais proveito do tempo, colhendo novidades, cultura, informação", conta ele, que está empolgado com a possibilidade de aprender rabeca, com um colega que é músico.
No show deste domingo, dividem o palco convidados como Lula Queiroga, Silvério Pessoa, Ortinho, Santanna, Fábio Trummer, Rogerman, Maciel Melo, Cannibal e outros. Além das canjas dos músicos, no meio da batucada espontânea da Usina vai rolar música eletrônica com os DJ's Nego Nu e Zezão Nóbrega. No próximo domingo, um novo evento movimenta a Usina. Será a Serenata da Usina, na verdade um grande arraial com a participação de Silvério Pessoa. Em julho, está agendado um bazar e, a partir de setembro, aulas de alfabetização para adultos e crianças.
Serviço
Batizado na Usina, festa de abertura do Espaço Cultural Usina
Onde: rua Tapacurá, 254, Casa Forte/Poço da Panela (1ªrua à esquerda após o Museu do Homem do Nordeste, no sentido cidade-subúrbio)
Quando: Neste domingo, a partir das 17h
Quanto: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada)
Informações: 8821.2122/ 8804.8464