Edição de Domingo, 8 de Junho de 2003
 
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Política

PT tem estratégia para sucessão 2004

Partido prioriza aliança com PMDB nos grotões

BRASÍLIA - Para abrir caminho à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT não quer alianças com os partidos de oposição, PSDB e PFL, nas eleições municipais do próximo ano. Esta linha, que será oficializada pelo diretório nacional, tem por objetivo enfraquecer a oposição e corresponde à avaliação dominante entre os petistas de que a eleição será um plebiscito sobre o Governo Lula. Os petistas não definiram uma meta de crescimento e o recém-criado Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) vai priorizar os 300 municípios com maior eleitorado, principalmente as capitais e as 62 cidades em que a disputa será em dois turnos.

  Nas eleições de 2000, o PT fez 455 coligações com o PSDB e 193 com o PFL. O coordenador do GTE, Silvio Pereira, diz que o partido não fará um corte ideológico, mas político: serão permitidas alianças com tucanos e pefelistas que apóiam o Governo Lula e proibidas com setores de oposição desses partidos. Ele diz que com o PSDB o embate eleitoral irá se transformar numa guerra. "O PSDB será o nosso principal adversário nos grandes centros urbanos", afirma Silvio Pereira.

  Para a estratégia eleitoral petista, não poderia ter vindo em melhor momento a decisão do PMDB de apoiar o Governo. Silvio constatou que foi com o PMDB que o PT fez o maior número de alianças em 2000: os dois partidos se coligaram nas eleições para prefeituras de 708 municípios.

GROTÕES - A aliança com o PMDB, que se transformou numa espécie de dono dos grotões, poderá permitir que o PT finque raízes nos pequenos municípios do interior do País. "Com certeza o PMDB vai contribuir para o crescimento do PT nos pequenos e médios municípios", avalia Pereira. Se esta é a expectativa do PT, o PMDB, que elegeu o maior número de prefeitos nas últimas eleições municipais, vê com reservas o avanço petista. Especialmente os governadores do partido que vão disputar a reeleição ou tentar fazer sucessores em 2006.

  "Os governadores do partido não querem que o Governo Lula participe da campanha, desequilibrando a disputa em favor de seuscandidatos", diz o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). O temor não é despropositado. Além da força do Governo Lula, os candidatos do PT contarão com reforço de caixa de R$ 11 milhões, 30% do orçamento do partido para 2004.

  Além disso, os candidatos petistas terão apoio do GTE na formulação de programas de governo, realização de pesquisas eleitorais, planejamento e elaboração de estratégias de campanhas. Também terão disponíveis um banco de vinhetas eletrônicas e comerciais e fitas de vídeo e áudio com as principais lideranças petistas e dos projetos e experiências das administrações do PT.

  Os petistas não querem parar na vitória de Lula e pretendem, se os eleitores apoiarem, transformar o PT no maior partido do País. Para isso, apostam nas alianças com os partidos de esquerda que participam do governo Lula. Nas eleições de 2000, o PT elegeu 2.485 vereadores, 187 prefeitos, 139 vice-prefeitos e obteve 11,9 milhões de votos nas eleições majoritárias. "Não fixamos uma meta de crescimento. Nosso primeiro objetivo é manter o que temos. Mas o número de prefeitos e vereadores que temos está muito aquém do potencial político do PT", diz Silvio.








 

 
 
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