Técnicos tentam retomar produtividade contendo avanço de doença
Roberto Cavalcanti
DA EQUIPE DO DIARIO
Mais popular entre as frutas cultivadas no Brasil, a banana vem merecendo uma atenção especial dos pesquisadores da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (Ipa). Na tentativa de conter o avanço da sigatoka amarela - doença originária da Ásia e que já atinge 100% dos bananais do Estado - os técnicos vêm selecionando e reproduzindo vinte novas variedades de bananas híbridas e mais resistentes ao fungo Mycosphaerella musicola. Os técnicos estimam que apenas em Pernambuco a perda de produtividade chegue a 50%. Os prejuízos anuais já ultrapassam os R$ 600 mil.
De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador do Ipa Luiz Bione, as novas variedades têm apresentado bons resultados. Com isso, aumentam as expectativas em torno do controle da doença que vem dizimando bananais em toda as regiões do País. Segundo ele, as espécies mais resistentes estão sendo multiplicadas através da reprodução in vitro. O sistema deve permitir a produção de 400 mil a 600 mil mudas até o final do ano.
Além do controle da sigatoka amarela, a atenção dos pesquisadores se volta agora para a sigatoka negra. Bem mais agressiva e responsável pela morte rápida das plantas atingidas, a doença já atinge grande parte dos bananais do norte do País. Embora ainda não tenha sido registrada em Pernambuco, as expectativas são de que ela chegue ao Nordeste nos próximos cinco anos.
O pesquisador afirma que em condições fitossanitárias normais é possível colher cerca de nove toneladas de bananas por hectare/ano. Nas áreas irrigadas esse número sobe para 25 toneladas.
Ocupando a sexta posição entre os maiores produtores de bananas do País, Pernambuco colhe 400 mil toneladas do fruto por ano. Esse número poderá dobrar caso se consiga controlar a doença. São 40 mil hectares de bananais, distribuídos principalmente os municípios de Vicência, Macaparana, São Vicente Férrer. No Sertão, o destaque fica por conta de Petrolina, onde há de 7,5 mil hectares irrigados de bananas.
O produtor Antônio José dos Santos, do município de Macaparana, diz que a doença já se alastrou por todo o bananal que ocupa uma área de 2,5 hectares. Ele afirma que a produtividade caiu 40% nos últimos três anos e que o prejuízo só não tem sido maior por causa do uso de fungicidas. O Ministério da Agricultura vai distribuir 15 mil mudas de bananeiras resistentes à sigatoka. Machados foi o primeiro município beneficiado. Até o final do ano devem ser entregues aos pequenos produtores cerca de 150 mil mudas apenas na Zona da Mata.
A variedade mais produzida no Nordeste é a pacovan, uma mutação espontânea da banana prata. Mais produtiva, de sabor acentuado e com frutos maiores, ela é uma das mais aceitas pelo paladar dos brasileiros. Praticamente toda produção pernambucana é destinada ao consumo interno, menos de 5% é comercializado em estados vizinhos, principalmente Alagoas e Paraíba.
Responsável pela geração de 200 mil empregos diretos e indiretos, a banana é cultivada em praticamente todos os municípios pernambucanos. Cada hectare emprega, em média, três pessoas e mais de 95% dos bananais estão em pequenas propriedades.