"Abra as cortinas pra mim/Que eu não me escondo de ninguém/O amor já desvendou nosso lugar/E agora está de bem". Em Conversa de Botas Batidas, um dos ápices de Ventura, Marcelo Camelo joga migalhas para que os fãs o sigam. Esse é, tal como Los Hermanos e Bloco do Eu Sozinho, um disco em que predomina o afeto, o romance. Não um meio-termo entre a sonoridade mais agressiva do primeiro e o lirismo do segundo, e sim um atestado de maturidade.
Ventura é um álbum uniforme, de uma unidade criada do diálogo entre as letras/melodias de Camelo e os versos/sons de Rodrigo Amarante. Nele, não há altos e baixos, músicas fantásticas seguidas por faixas dispensáveis. Pode-se gostar mais da voz feminina em A Outra, um momento em que Camelo paga tributo ao mestre Chico Buarque; da letra bem bolada de Samba a Dois; da pegada pesada e crescente de Cara Estranho (música de trabalho nas rádios, clipe já gravado); ou da guitarra assumidamente pop de O Vencedor. Tudo bem, pode-se e deve-se curtir tudo, em especial os delicadosarranjos de sopro, de inserções cada vez mais significativos.
Ventura não é o último romance dos Hermanos, longe disso. É um arroubo anti-clichê, uma prova de que tudo que já se ouviu do grupo ainda está lá, só amadurecido. Para se ouvir de janelas abertas, como o quarteto defende, ou na penumbra do quarto, no banheiro, no discman. Em qualquer lugar, as 15 faixas do terceiro disco do Los Hermanos ocupam os espaços e se espalham, disseminando o vírus do amor. (LV)
Serviço
Ventura (Los Hermanos, BMG)
Preço médio: R$ 22,90