O Waterloo dos prefeitos
Numa de suas últimas edições, disse com inteira propriedade o DIARIO DE PERNAMBUCO que "o Recife entra em estado de alerta contra as chuvas". De fato, as chuvas de junho e julho principalmente, quando o inverno se faz "rigoroso", têm sido o Waterloo anual dos Prefeitos. Muita fama se esboroa neste período, porque as águas pluviais se acentuam na referida passagem de cada ano, gerando a impressão de que nada foi feito para evitar o pior, os desabamentos, as retiradas urgentes de famílias inteiras e a perda insubstituível de vidas humanas.
Sabe-se que nem tudo pode ser levado à conta da inação administrativa. Córregos são disciplinados, suportes de pedra e cimento se colocam nas amuradas, arrimos diversos se providenciam, escadarias se fortificam, casas chegam a ser objeto de interdição, escoadouros são limpos, mas, ainda assim, quando vêm as chuvas, o panorama que sobra é doloroso e sofrido para muita gente.
Na atualidade, a Prefeitura Municipal do Recife criou um programa chamado Guarda-Chuva, que se espera não fique no papel, já que providências na ordem preventiva se impõem. O verdadeiro Recife de risco não é o da planície que tem vasta porção abaixo do nível do mar. O Recife periclitante por excelência ante as chuvas do meio do ano é o Recife dos morros que circundam a planície. Para que se tenha idéia da vastidão desse risco social, e sobretudo humano, a Comissão da Defesa Civil (Codecir), ao examinar o Programa Guarda-Chuva da PMR, inventariou cerca de 10.500 pontos de risco existentes nas zonas Norte, Sul, Centro e Oeste da Capital pernambucana. O bairro do Ibura, por causa da formação dominantemente arenosa do solo, é considerado pelos técnicos a área mais crítica de todas as catalogadas.
A autoridade municipal se acha hoje mais apetrechada para enfrentar as chuvas do que nos anos anteriores. Os morros, que correspondem a 15% da área total do Recife, estão sendo objeto de monitorização diária. Neles, há um público cadastrado de cerca de 27 mil pessoas, num total populacional de 470 mil habitantes. Dos 27 mil, 3,7 mil pessoas se acham em sítios de "perigo iminente", podendo, em caso de emergência, passar a receber da edilidade um auxílio-moradia.
Ainda que se possa averbar o programa de meticuloso, as autoridades municipais têm enorme dificuldade em evitar que terrenos condenados à luz das experiências anteriores sejam reocupados pelos antigos moradores, ou por outras pessoas que preferem ignorar as advertências do Poder Público. É bom que se saiba que em anos anteriores muitas mortes e desaparecimentos de gente nos morros foram indebitamente lançados à conta das autoridades municipais, quando parte substancial de eventos danosos se deveu, esta é a verdade, à teimosia de pessoas retiradas que voltam, ou a invasores dispostos a preencher a qualquer preço os vazios das transferências de pessoal.
O alerta é, portanto, muito válido. Até agora, melhor dizendo, até o último dia de maio recente, as chuvas registraram 225 milímetros. Como em 2000 mediram-se no Recife 635 milímetros, em 2001, 432, e em 2002, 523 milímetros, o que dá uma média de 530 milímetros, haverá bastante chuva ainda pela frente, este ano.
Desemprego, fenômeno mal estudado
Hindemburgo Pereira Diniz
PRESIDENTE DO CONSELHO CONSULTIVO DO CONDOMÍNIO DOS ASSOCIADOS
Não entendo a razão pela qual economistas de nomeada atribuem o fenômeno do desemprego apenas a razões de conjuntura econômica. Parece até que não se preocupam em acompanhar permanentemente o que vem ocorrendo no campo científico-tecnológico e as incontornáveis influências que os resultados já obtidos e em andamento visível e prolífero terão sobre a realidade político-social.
Não duvido que o principal motivo do desemprego ainda tem caráter conjuntural. Entretanto, parece-me claro que esta realidade tende a modificar-se com o crescimento relativo contínuo da automação em todos os setores da atividade econômica. São conquistas tecnológicas indutoras da extinção de muitos tipos de trabalho humano a determinarem metamorfose significativa na vida social. Engana-se quem não considera que parcela do desemprego atual já tem natureza estrutural.
Ainda nos anos 70, empresários americanos, japoneses e europeus, vinculados ao segmento estratégico da microeletrônica, diziam-me, de maneira aparentemente orquestrada, que os desempregos provocados pela automação seriam compensados pela criação de outros, principalmente no campo genérico da computação e adjacências. Jamais acreditei nessa "profecia", por dois motivos: os lugares a serem abertos, como já se passou a ver, exigem dos seus pretendentes formação escolar superior à da média dispensada pela indústria; nunca se considerou o impasse posterior, quando a nova ordem de trabalho, nitidamente incapaz de absorver sozinha a mão-de-obra rejeitada pelos diversos setores da economia, destacando-se o secundário, esgotar sua capacidade de gerar mais empregos, tudo dentro de um quadro submetido às condicionantes da evolução tecnológica em aceleração. Mais cedo ou mais tarde, os governos vão ter de agir na administração desse fenômeno que tende a levar-nos para uma nova era onde o homem, sem necessidade do trabalho físico para alimentar-se , abrigar-se e agasalhar-se, conviverá com outros desafios de ordem diferente. É preciso, contudo, levar-se em conta o fato de que entre hoje eesse amanhã do porvir haverá longo entremeio dentro do qual os mais fortes terão condições para levar vantagens sobre os que não podem ou sabem defender-se. E é justamente em função dessa circunstância que me surpreendo com a displicência do Poder Público e, sobretudo, dos sindicatos, relativamente ao problema.
Existem muitos indícios no sentido da previsão que transmito neste artigo, todos sustentados por conquistas tecnológicas efetivas, sempre em processo de aprimoramento cada vez mais rápido. A própria inteligência artificial já vem dobrando sua capacidade a cada ano e meio sem nenhum sinal de desaceleração no futuro descortinável. Pelo contrário, agora, com o início da exploração industrial da nanotecnologia (um nanômetro corresponde à bilionésima parte de um metro), é que vamos assistir conquistas mais profundas e espraiadas. Não se trata de profecia, mas de lógica. Estamos ouvindo ou lendo em publicações especializadas afirmações de cientistas consagrados prevendo que até 2012 a densidade dos circuitos eletrônicos deverá aumentar mil vezes; que, "por volta de 2020, em termos de "hardware", será possível reproduzir-se, em escala normal, o cérebro humano, com seus 100 bilhões de neurônios; que, "depois de 2025, os robôs irão substituir rapidamente o ser humano nas fábricas e fazendas, assegurando as necessidades de nossa subsistência.
Dessa forma, a menos que se teime num descaso irresponsável, cumpre analisar-se o conteúdo de procedência e tempestividade de todas essas projeções e tomar as medidas que se mostrarem adequadas. Do contrário, é possível que venhamos a enfrentar convulsões populares sem precedentes, capazes de desestabilizar a organização político-social sob a qual vivemos.
e-mail:hcpd@uai.com.br
Cícero Dias: correio da Resistência
Hélio Coutinho Filho
ADVOGADO
Cícero Dias, grande artista plástico faleceu em Paris, onde viveu a maior parte de sua longa e fecunda vida, aos 95 anos no dia 28 de janeiro p.passado. Poucos como ele tiveram uma trajetória tão luminosa, marcada por um sentimento muito forte da melhor pernambucanidade. Foi um bravo lutador e um amante da arte e da liberdade do homem.
A Imprensa francesa, por ocasião de sua morte, o saudou como figura maior da arte moderna brasileira. Não sou crítico de arte, não tenho a menor pretensão de sê-lo, até porque não sou do ramo e tenho, ou procuro ter, a perfeita consciência das minhas limitações. Admiro as manifestações culturais, na sua abrangência maior, pelo que representam em afirmação do espírito humano e na beleza que possam transmitir em pensamento e deleite visual. Assim, os conceitos aqui emitidos não são originais e vêm de quem entende, de gente do ramo.
Cícero Dias nasceu em Escada em 1907 e logo cedo passou a viver na velha casa grande do Engenho Jundiá, de sua família, tradicional estirpe pernambucana da zona açucareira. Transferiu-se para o Rio de Janeiro onde estudou arquitetura e pintura. Em 1928 fez uma exposição de suas aquarelas e desenhos, dotadas de "uma liberdade fantasista", "por vezes erótica", "outras irônica", conferindo-lhe muita notoriedade e a aceitação dos círculos da avant-garde. Passou a fazer parte do fugaz movimento antropofágico, juntamente com Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Em companhia de Gilberto Freyre organiza o primeiro congresso afro-brasileiro. Em clima de muita trepidação, finda os seus estudos e participa de exposições no Rio e em São Paulo, onde sua obra monumental, "Eu vi o mundo.....ele começava no Recife", provoca escândalo em 1931.
Em 1937 muda-se para Paris e como era de se esperar faz contacto com o surrealismo. Sua pintura é então a "de um visionário onírico, de uma leveza apaixonada e também indiferente à lógica e ao realismo". Em 1938 expôs na Galeria Jeanne Castel, recebendo elogios de André Salmon, a amizade de Paul Eluard, de Leon-Paul Fargue eoutros, e também a de Picasso.
Em 1945, no pós-guerra, Cícero Dias muda a forma de sua arte: o surrealismo "efervescente e arcaico" cede lugar ao "rigor de uma abstração impecável". Passa então a expor na Galeria de Denise René, tendo sua obra se desenvolvido tanto aqui como lá, em Paris. No Brasil introduz a abstração geométrica sobre tela e murais, exercendo influência duradoura. Na década de 50 tem grande participação, o que lhe valeu em 1956, o comentário de Leon Degand celebrando em sua arte "o geometrismo melhor calculado" marcado por "um singular frescor cromático". Em 1991 executou obra monumental para o metrô de São Paulo. Participou de duas das maiores revoluções artísticas do século XX sem perder o seu "tom" próprio.
Quero agora me referir ao núcleo central deste artigo. Cícero Dias, durante a Segunda Guerra foi prisioneiro na Alemanha. Consegue retornar à França, chega a Marselha e, de lá, a Lisboa. Carrega consigo o manuscrito do poema Liberté, de Paul Eluard, que lhe fora confiado por LouisParrot. Em Londres o entrega a Roland Penrose. Em seguimento, a RAF (Royal Air Force) lança sobre a França ocupada o poema em forma de panfleto. Dias foi assim correio da Resistência, um "maquisard", fugindo à neutralidade cômoda, contribuindo para a afirmação da liberdade do homem sobre todas as formas de opressão, representadas à época pelo nazismo. Foi fiel às melhores tradições de Pernambuco quando muitos derramaram seu sangue para expulsar do nosso solo o invasor holandês.
Tive conhecimento recente que no prédio da Secretaria da Fazenda, na rua do Imperador, existem 6 murais de Cícero Dias, sendo 3 no térreo, um no 1º andar e 2 no 9º. Todos já foram recuperados, à exceção de um deles, no 9º andar, o mais difícil. Há muitos anos, por um desavisado, foram cobertos por tinta d'água azul claro, e depois por camadas de tinta mais complexa - PVA. Graças a uma louvável iniciativa do secretário Everardo Maciel, com o apoio do então governador Marco Maciel, foi iniciada a recuperação de tão precioso acervo. Ostrabalhos ficaram sob a responsabilidade de Teresa Carmen Diniz, extraordinária restauradora, que faz da sua arte e do seu trabalho, um verdadeiro apostolado. Parabéns a todos que patrocinaram e contribuíram para restaurar essa obra magistral de Cícero Dias.
As lambanças dos barbudinhos
Rivaldo Paiva
ESCRITOR
Pois é, minha gente. O que nós estamos vendo neste nosso Brasil, hoje, infelizmente, não é nada daquilo que pensávamos quando, estrondosamente, sufragamos os irrequietos barbudinhos do PT para nos comandar. É paradoxal, mas é a verdade. Nem ao menos atingiram seis meses completos de mandato e os estrelas vermelhas "salvadores" da Pátria já começaram a nos encher o saco.
Primeiro, anotem, eles desdizem tudo o que pregavam no ano passado - faz muito pouco tempo - quando gritavam, esperneavam, xingavam e até agrediam pessoalmente os então governantes adversários. Agora estão vociferando o mesmo, e pior, exaltando-se na defesa de um poder que não sabem maestrá-lo, sequer entender-se nas suas próprias rinhas, antes esquerdizantes - para não lembrar de Bobbio e suas configuradas díades sepultadas pelo entusiasmo simplório do mando.
Segundo, terceiro e quarto e nos quintos de et ceteras, se mostram arredios com a coerência que simbolizava a marca partidária, empregando-se contra os empregados e a favor dos empregadores; querem fritar os aposentados e cuspir as espinhas da dignidade daqueles incansáveis trabalhadores (o professor Cardoso FH chamou os aposentados de vagabundos e o PT os tratam como tais), enquanto os marajás de autarquias e fundações vivem nababescamente de salários astronômicos; descumprem a Constituição e exaltam as vicissitudes do vigarismo político, representado pelo seu apadrinhado presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, que declarou pela Imprensa, em palavras mais claras, que enganaram o povo para poder chegar ao Poder; prometeram acabar com a fome no País, se deslumbrando em banquetes e churrascos nas granjas tortas de paus tortos, sem o mínimo de planejamento para executar o projeto - aliás, que se fosse verdade e obstinadamente perseguido, seria a redenção da consciência da elite rica e podre, que, intumescidos, luxam agouros pelas coxias do Planalto ou nas tapadeiras da avenida Paulista.
Coitado do presidente barbudinho Lula lá e de cá! Bom papo, irreverente, populesco, orador do singular, operário aposentado, grande negociador e inteligente demais - tanto que saiu de Caetés para São Bernardo do Campo e acabou no púlpito da presidência da República. Arranjou um vice-presidente sem barba nas chapadas das Minas Gerais, em meio a uma avalanche de nelores gordos, pensando que mineiro não fala - só age à surdina - e já está dando no que já deu. O homem está falando demais - que nem o Itamar e o recém-falecido Aureliano - e defende seus direitos de empresário bem-sucedido às claras e às tontas, pouco importando se interinamente respondendo pelo País ou não. Cercou-se de outro "imberbe", o José Dirceu, de priscas eras de anarquias irracionais, e vai entrar pelo cano, pois ele não pensa em outra coisa senão substitui-lo no cargo futuramente. Que azar também se juntar a estes que não deixaram a barba crescer.
Por sua vez, os caiporas dos outros auxiliares, cheios de lambanças, barbudinhos de carteirinha, tecnocratazinhos de conversa fiada, não fazem nada - só ameaçam -, deixam a gasolina subir, não deixam os juros cair, usam do nepotismo nomeando suas mulheres com gordos salários (vide Veja) e sequer sabem jogar bem uma bolinha aos domingos em flor.
E nós, povo brasileiro, o povo da obra do saudoso Darcy Ribeiro, que até hoje vive curvado ao patriciado e ao patronato delinqüente, passou a sofrer da síndrome da paralisia pela expectativa. Esperando pelas promessas dos expoentes barbudinhos e pelas bravatas justiceiras das brabas ministras que, pelo menos, encantam um bocado de abilolados.
Lula, atordoado, vai terminar por contrariar seus princípios petistas e ter de se curvar ao capital estrangeiro. Aí, voltará a escravidão de quarto mundismo.
Ao toque da sanfona
Roberto Pereira
EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Quem, dentre os pernambucanos, ao toque da sanfona, não se deixa levar pelo remelexo do xote, do xaxado, do baião e do forró? Estão em nossas raízes a música e a dança, traços fortes da identidade cultural do povo pernambucano e, de resto, nordestino. Bastam a sanfona, o triângulo, a zabumba e os acordes do cancioneiro popular para que a festa se faça alegria e contagie a todos no mexe-remexe-mexe do chamado forrobodó.
Os pares, como num "baião de dois", vão ao arrasta-pé porque balançar o esqueleto é próprio da boa gente pernambucana, que, nas cidades interioranas, quando da falta de um maior número de cavalheiros, dança até "muié-com-muié", dentro de sublime elevação de espírito. O ciclo junino, talvez mais do que o Carnaval, bate forte na alma do povo de nossa terra. Primeiro, é uma festa bem familiar. Depois, tem uma diversificação folclórica que vai além da música e da coreografia que a dança costuma ensejar.
Nesse mosaico, insere-se a diversificação da culinária à base do milho e do coco. As vestimentas dos grupos de "quadrilhas", dos bacamarteiros, dos casamentos matuto, dos cocos-de-roda, das cirandas, dão um colorido todo especial a esses festejos de longa tradição e, a cada ano, revividos com alma, vibração, entusiasmo, testemunhando, assim, o quanto existe de riquezas incontáveis em nosso acervo cultural.
Vale lembrar o espetáculo pirotécnico. Foguetões espocando pelos ares, difusamente, retratando sentimentos e sensações dos mais diversos matizes. Os balões voando (perigosamente), as fogueiras crepitantes, as cortinas de fumaça em espiral, nebulizando a atmosfera, tudo isso nos colocando num ambiente de festa, de frenesi e de muita alegria.
Somam-se às celebrações dessa época, crendices, superstições, no afã das moças em saber o seu futuro, o nome do noivo que pode nascer do ajuntamento de pingos de vela, numa bacia com água, ou, pelas marcas impregnadas na faca, depois de encravada no miolo da bananeira, chegando, segundo dizem, a formar letras iniciais, as quais, possivelmente, serão as do "príncipe encantado".
No Recife, simbiose de cidade urbana com cidade rural, expressão feliz do antropólogo e sociólogo Gilberto Freyre, nesse hibridismo, sabe ser metade metrópole, metade interior. Daí, nesta fase do ano, costuma se amatutar sãojoanescamente porque, sobretudo, na sua periferia, muitos são os "arraiais", as competições de mais de 500 quadrilhas, umas estilizadas, outras ainda no melhor estilo clássico-tradicional.
Pernambuco já está, por inteiro, vestido de São João. Em várias cidades, vilas e lugarejos, ruas e arruados, as bandeirolas e os balões dão o clima e anunciam o ciclo junino, sempre homenageando a santa tríade: Antônio, o casamenteiro, João e Pedro, ficando Paulo no esquecimento.
Mesmo quando a seca não permite uma melhor colheita de milho, na multiplicação dos caroços, sempre há de chegar, aos estômagos dos mais apetitosos, a pamonha, a canjica, o pé-de-moleque, o milho assado ou cozido, enfim, toda essa culinária que, ano a ano, deixa-nos com água na boca.
Outra inovação, de há muito um resgate do antigo à modernidade, é o Trem do Forró, que, atualmente, liga o Recife à cidade do Cabo, antes, por muito tempo, à capital do Forró, a nossa Caruaru, onde as tradições juninas são preservadas, mantidas, não se afastando dos usos e costumes da região, sendo um belo exemplo de nordestinidade.
Desde algum tempo, dentre os de cá e os que aqui se aproximam para o turismo de lazer e entretenimento, é vasto o leque de alternativas para quem desejar vivenciar o nosso ciclo junino. Luís "Lua" Gonzaga e Gonzaguinha são duas ausências/presenças nesse período, a tal ponto que, um dia, escutei de uma criança: "Com traque de massa e o forró de Gonzaga vou brincar o meu São Joãozinho".
Quem tiver ouvidos, ouça: ao toque da sanfona não se deixe ficar; dois pra lá, dois pra cá, agarradinhos no salão, e, num ambiente bem familiar, está feito o passo/compasso do baião, canto da dança e cântico da pernambucanidade.