Edição de Sábado, 26 de Abril de 2003
 
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Ana Maria Machado eleita imortal

Escritora vai ocupar a cadeira número um da ABL

Maria Eduarda Antunes
Da equipe do DIARIO

Depois de ter o trabalho reconhecido no Brasil e no exterior, numa trajetória que, pode-se afirmar sem exageros, é marcada pelo sucesso, a escritora carioca Ana Maria Machado acaba de realizar mais um feito: foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), na última quinta-feira. Agora, após concorrer com a antropóloga Maria Beltrão e o jurista Fábio Konder Comparato, ela ocupa a cadeira número um, deixada por Evandro Lins e Silva, morto em dezembro do ano passado.

  Com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, sendo 92 títulos infantis, a mais nova acadêmica soma quase 14 milhões de exemplares vendidos e já ganhou inúmeros prêmios. Entre os mais importantes, estão o Hans Christian Andersen, em 2000, considerado o Nobel da literatura infantil mundial e, em 2001, a ABL concedeu-lhe o Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.

  Apesar de tudo isso, Ana Maria fala de si mesma com modéstia. Para a ela, "o ingresso na ABL representa o coroamento do trabalho", define. E prossegue ressaltando o fato de ter conhecido, neste processo, pessoas que admira muito, como o pernambucano Ariano Suassuna.

  Apesar de ter uma produção de livros infantis numericamente maior, a escritora não faz muita distinção entre o trabalho para este público e o voltado aos adultos: "O ato de escrever me impulsiona. A exploração da palavra é o que me fascina", diz.

  Ela começou a carreira como pintora enquanto estudava Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois de 12 anos dedicada às tintas, o lado de escritora falou mais alto e, assim, parou de expor.

  Durante a ditadura, foi presa e, em 1969, partiu para o exílio na Europa. Lá, trabalhou como jornalista na revista Elle em Paris e na BBC de Londres, além de ter sido professora em Sorbonne. Nesse período, escreveu histórias infantis para a Editora Abril.

  De volt, em 1972, ingressou no Jornal do Brasil e ganhou prêmios com o livro História Meio ao Contrário, em 77. Dois anos mais tarde, abriu a Livraria Malasartes. Em 80, largou o Jornalismopara se dedicar à literatura.

  Passada a agitação deste momento, Ana Maria retomará o romance adulto que está escrevendo- ainda sem título - e, na Bienal do Livro, em maio, lançará mais dois títulos infantis: Portinholas, em homenagem aos 100 anos do pintor Portinari, e Abrindo Caminho, no qual fala sobre pessoas como Santos Dumond, Tom Jobim, Carlos Drummond de Andrade, ente outros.








 

 
 
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