Edição de Sábado, 26 de Abril de 2003
 
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Poética agreste em figurino tecnológico

Cantor e compositor Ortinho busca novas experiências musicais e lança hoje seu primeiro disco solo

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

Nos anos 90, em plena ebulição da novíssima textura sonora que Pernambuco criava e apresentava para o resto do País, ele enloquecia nos palcos com um puro e visceral rock'n'roll. De autêntico, bastava sua postura rebelde e sua poesia meio agreste, meio litoral. É dele a pulsante Sangue de Bairro, imortalizada na voz de Chico Science. O inquieto Ortinho largou tempos depois a Querosene Jacaré, banda que lhe apresentou ao público recifense, e foi em busca de novas experiências musicais. Sensibilidade e loucura na dose certa nunca lhe faltaram. Por isso mesmo, é delicioso o primeiro registro dessa procura que ele nos apresenta, o CD Ilha do Destino. Uma mistura da poética que sempre lhe foi característica, com uma sonoridade mais tecnológica, frutos de samplers, entre outros recursos eletrônicos, e claro, da sua permanência por quatro anos em São Paulo.

  Hoje, Ortinho faz seu primeiro show no Recife com o disco pronto e aclamado. Além da boa receptividade, registrada por alguns dos maiores críticos do País,o disco está concorrendo a alguns prêmios. A apresentação, no Pátio de São Pedro, reunirá músicos de Pernambuco, já que não foi possível trazer a banda que gravou com ele em São Paulo. Terá Xandinho na guitarra, Luigi Lagioia no baixo, Mr Jam na bateria e Wilson na percussão. O show também está mais acústico, diferente do CD. Ortinho diz que será um passeio por Pernambuco, com músicas mais carnavalescas, outras mais regionais - como o coco e a ciranda - e ainda as mais roqueiras. Na próxima terça-feira, o músico repete a performance na loja Período Fértil, em Olinda, no lançamento da nova coleção da grife.

  Os quatro anos que passou longe do Recife serviram não só para que Ortinho encontrasse uma musicalidade diferente da que vinha apresentando nos primeiros shows que fez logo quando saiu do Querosene. Guilherme Kastrup, o amigo, arranjador, programador e dono dos samplers do disco, apresentou-lhe à essa inevitável colagem sonora presente nos mais diversos gêneros contemporâneos. Ortinho, no entanto, descobriu que o que tinha de melhor estava nas suas origens. Agora, prepara-se para voltar ao Recife, apesar do que chama de carência de mercado. "Senti que estava fazendo parte de um passado daqui, e quero fazer parte de um presente. A música de Pernambuco está hoje na frente das idéias do Brasil inteiro", proclama o roqueiro.

Serviço

Show de Ortinho
Quando: Hoje, às 22h
Onde: Pátio de São Pedro
Entrada franca








 

 
 
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