Companhia vai entregar processo sobre lixão da cidade ao MPPE
O destino do Lixão de Igarassu pode ser traçado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Depois de ter autuado a prefeitura local por quatro vezes, a última ontem, a Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) encaminhará o processo sobre a área ao MPPE na próxima semana. O lixão, localizado às margens da BR-101 Norte entre os municípios de Igarassu e Goiana, além da poluição atmosférica apontada como motivo para acidentes automobilísticos pode estar afetando o lençol aqüífero da região.
Das quatro autuações, segundo a CPRH, duas resultaram em cobrança de multas, estimadas em cerca de R$ 7 mil. A autuação de ontem será discutida nos próximos dias pela Diretoria de Controle Ambiental, que definirá o montante a ser cobrado. As multas previstas pela legislação variam de R$ 100,00 a R$ 100 mil, tendo a última infração aplicada sido de R$ 5 mil. O valor foi contestado pela Prefeitura de Igarassu que propôs o pagamento de 10% e o restante seria aplicado em melhorias da área.
O lixão existe há quase umadécada. De acordo com o diretor de Controle Ambiental, a CPRH teria orientado a Prefeitura a implantar mudanças no ano passado, como a cobertura diária dos detritos para se evitar combustões e a retirada dos catadores. Pouco teria sido realizado. "Orientamos que se procurasse outra área porque sob aquele terreno fica o aqüífero do Beberibe". O lençol subterrâneo e os córregos, completou, podem estar sendo afetados pelo chorume (líquido escuro) que escorre dos resíduos.
Para o secretário municipal de Governo e Comunicação, Fernando Pessoa, a limitação financeira é o maior entrave na resolução do problema. Apesar disso, a seu ver, a Prefeitura tem buscado a resolução do problema, investindo na construção de cercas em torno do lixão, colocação de argila, treinamento de pessoal e retirada de crianças do local. "Nosso principal inimigo é o desemprego, que empurra gente de Igarassu e Goiana para aquela região", justificou o secretário.
Pessoa informou ainda que a Prefeitura investiu cerca de R$ 100 mil na elaboração da planta diretora, destinada ao ordenamento urbano da cidade. Entre as ações, consta um aterro sanitário que exigirá investimentos de R$ 2 milhões nos próximos 15 anos.