Miguel Rosseto discute questão agrária em encontro no Incra
No primeiro compromisso de sua agenda oficial em Pernambuco, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, esteve reunido ontem com lideranças de 14 movimentos trabalhadores ligados à questão agrária, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em comum, apesar das queixas em torno da morosidade do processo de assentamento de famílias e da violência no campo, os representantes consideraram o encontro "um momento histórico". Admitindo desconhecer detalhes das questões estaduais, o ministro prometeu retornar ao Estado para tratar dos casos levantados.
Rossetto recebeu da Comissão Pastoral da Terra (CPT) um dossiê apresentando a situação dos acampamentos da Mata Norte. José Cícero de Melo, coordenador do acampamento Chico Mendes II, em Tracunhaém, denunciou o acirramento dos conflitos entre as famílias e o Grupo João Santos, proprietário das terras. De acordo com Melo, pessoas ligadas ao grupo empresarial envenenaram a água e a lavoura nos engenhos Aliança e Bonito. "Em Aliança, um trabalhador chegou a ser ferido", contou o coordenador. O ministro disse que acha importante a criação de uma vara agrária para acompanhar os conflitos na região rural.
Miguel Rossetto também sugeriu a convocação das entidades responsáveis pela segurança e direitos humanos para observar exemplos bem-sucedidos no País. As lideranças rurais pediram ainda a suspensão da medida provisória nº 2027. Publicada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em maio de 2000, a MP proíbe que uma terra ocupada seja vistoriada e desapropriada. No final da tarde, 300 integrantes da CPT foram até o município de Abreu e Lima acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração dos bustos dos generais pernambucano José Ignácio de Abreu e Lima e venezuelano Simon Bolívar.
Na passagem pelo Estado, o ministro Miguel Rossetto participou também da posse da nova diretoria do Centro Dom Hélder Câmara, que desenvolve um projeto para adaptar 15 mil famílias ao semi-árido. Com ele estavam os secretários nacionais de Reforma Agrária, Eugênio Peixoto, de Desenvolvimento Territorial, José Humberto Oliveira, e de Agricultura Familiar, Válter Bianchini. "Nossa missão é criar um ambiente digno para aqueles que vivem no campo", afirmou.
Na opinião do ministro, a base da reforma agrária deve ser a agricultura familiar, responsável por 40% da produção agrária bruta e 80% dos trabalhadores rurais em atividade no País. À tarde, a comitiva visitou o município de Águas Belas, no Agreste do Estado. Foi entregar a documentação referente à compra de terras a 67 famílias beneficiadas pelo Projeto crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural.