Funcionários públicos foram denunciados por uma testemunha da CPI do roubo de carga
Marcionila Teixeira
Da equipe do DIARIO
Um promotor do Ministério Público de Pernambuco e um delegado da Polícia Civil foram afastados temporariamente de suas funções, através de decretos publicados no Diário Oficial desta semana, depois de denúncias feitas por uma testemunha na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o narcotráfico e o roubo de cargas no Estado. O delegado Sylvio Romero Rodrigues e o promotor da 1ªVara de Santa Cruz do Capibaribe, José Henrique Campos Correia, foram acusados, em depoimento prestado - por um mascarado - sob sigilo na CPI, de envolvimento com extorsão, receptação e roubo de carga, segundo informaram deputados estaduais da Comissão.
O deputado Pedro Eurico (PSDB) disse que na próxima terça-feira, deverão ser ouvidos pelos deputados estaduais da CPI Sylvio Romero e mais seis agentes de Polícia Civil acusados do mesmo crime. Também está sendo previsto o depoimento do promotor, mas a lei reserva à categoria o direito de escolher o dia, local e hora da ouvida.
O decreto de número 25.407, publicado ontem, informa que "fatos criminosos apurados pelo Ministério Público de Pernambuco e assentados em depoimento prestado perante membros do MPPE e registrado em gravação audiovisual, dão conta da participação do delegado em diversas condutas delituosas, notadamente as capituladas nos artigos 157 (roubo), 168 (apropriação indébita), 288 (formação de quadrilha) e 316 (obter vantagem através da função) do Código Penal". O mesmo documento cita que a decisão também partiu de resultado da apuração da CPI e que está baseada em indícios veementes.
A partir de agora, Sylvio - que está na Polícia Civil desde o ano de 2000 - está afastado até que a investigação administrativa e judicial seja concluída. O decreto, assinado pelo governador Jarbas Vasconcelos e pelo secretário de Defesa Social, Gustavo Lima, diz que a identificação funcional, além da arma usada pelo delegado devem ser devolvidas dentro do prazo de 24 horas à Diretoria de Pessoal da Polícia Civil, onde ele ficará à disposição.
"Nunca pratiquei nenhum desses delitos. Nunca sequer trabalhei com apuração de crime de roubo de carga", disse o delegado, que estava atuando em um inquérito especial que apurava desvio de verba liberada pelo Pró-Rural. Ele estava lotado na delegacia de Santa Cruz de Malta, uma regional de Araripina.
A decisão de afastar o promotor foi publicada no Diário Oficial da última quarta-feira, por determinação do corregedor-geral Antônio Carlos de Oliveira Cavalcanti. O documento não cita o nome de José Henrique porque pela lei os nomes de promotores e juízes são protegidos enquanto o processo corre em segredo de Justiça. Segundo os deputados, a principal acusação que recai sobre o promotor é a de extorsão junto a quadrilhas de roubo de carga.
Procurado pelo DIARIO para falar sobre o assunto, José Henrique limitou-se a dizer que foi comunicado do afastamento, mas não sabia dizer os motivos da decisão. Deputados da CPI informaram que os dois afastamentos aconteceram depois de comunicações feitas pela comissão aos dois órgãos. Um dos deputados que atua na Comissão disse que o delegado já havia sido citado desde a primeira CPI que apurou o crime organizado no Estado.