Decisão sobre altura máxima de prédios fica para Plano Diretor
Quatro dias depois de anunciar a proposta de definir uma altura máxima de 45 metros (ou 15 andares) para as edificações do Recife, o prefeito João Paulo recuou na decisão. Ontem, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) - onde era esperada uma discussão polêmica sobre o assunto - a proposta do prefeito sequer foi apresentada oficialmente e, muito menos, discutida ou votada. A sugestão foi arquivada e o secretário de Planejamento, Djalma Paes, se limitou a dizer que o Plano Diretor, que está em processo de revisão na Prefeitura do Recife (PCR) desde o ano passado, é que definirá o ordenamento urbano da cidade.
"O plano está sendo revisado e deverá chegar à Câmara para votação no próximo mês de outubro. Todo um estudo técnico está sendo realizado e é ele que vai apontar as diretrizes do desenvolvimento da cidade", declarou. Questionado sobre a existência de um estudo paralelo, que resultaria na proposta de João Paulo - revelada na última segunda-feira pelo DIARIO - o secretário afirmou que estaavaliação simplesmente não existe. "Ele achou que deveria ser estabelecido o limite máximo de 15 andares do mesmo jeito que eu posso achar que deveriam ser 20 andares. Na verdade, o que ele quis foi destacar essa preocupação com relação ao gabarito dos prédios da nossa cidade. Como gestor do município, ele tem todo o direito de se manifestar", afirmou.
O secretário disse ainda que a questão do gabarito das edificações não vinha sendo discutida com ênfase na revisão do Plano Diretor. A partir de agora, essa preocupação será levada em conta. "Vamos avaliar cuidadosamente essa questão durante a revisão do plano, já que há uma solicitação do prefeito", anunciou. Alterando completamente a sugestão do prefeito, Djalma disse que a altura dos prédios poderá ser bastante heterogênea, com limites mais flexíveis em determinados bairros e mais restritivos em outros.
CONSTRUÇÃO - Representantes do setor da construção civil estiveram ontem na reunião do CDU e se disseram surpresos com a atitude da PCR de simplesmente não apresentar a proposta. Armênio Ferreira, da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), declarou que esperava uma calorosa discussão. "Uma hora o prefeito vai à televisão e diz que tem uma proposta de limitação do gabarito das edificações e, num outro momento, a sugestão parece nunca ter existido. Possivelmente, houve uma precipitação em anunciar essa medida", disse.