Os problemas decorrentes da automedicação, segundo os médicos, podem variar desde pequenos distúrbios até danos permanentes à saúde. No caso de Wálder, ele conseguiu voltar ao trabalho após dois meses sofrendo com dores e irritação nos olhos. Hoje, leva uma vida idêntica à de antes do acidente. "Consigo fazer tudo normalmente", explica o rapaz, que, em 25 dias, usou 30 tubos de colírio sem receita médica, antes de procurar ajuda de um especialista.
Responsável pelo tratamento de Wálder, o médico Alexandre Ventura afirma que, se tivesse procurado um especialista rapidamente, ele poderia ter se curado em apenas três dias. "Em vez disso, ele passou dois meses sofrendo sem necessidade".
Enquanto Wálber conseguiu se recuperar, outros pacientes sofrem com seqüelas da automedicação. O próprio Alexandre Ventura lembra um caso de um rapaz de 16 anos que, ano passado, sofreu duas cirurgias para tratamento de glaucoma e catarata.
O problema foi causado pelo uso de um colírio que havia sido recomendado por um outro oftalmologista, para tratamento de conjuntivite. Igonarando o tempo da receita, o rapaz passou três anos se automedicando. "Ele perdeu muita visão com isso. Vai poder estudar, mas outras atividades ficaram comprometidas, como dirigir um carro", revela o médico.
As desculpas para usar a automedicação geralmente levam ao chavão da falta de tempo. "O corre-corre da vida leva a isso. Quem trabalha não tem tempo de ir aos hospitais e acaba adiando a consulta, até o caso piorar", arrisca a assistente social Cláudia Pontes, 34, outra vítima da automedicação. Com uma coceira nos olhos, utilizou um colírio descongestionante e sofreu uma inflamação que só começou a ser tratada após procurar um oftalmologista. "Infelizmente as pessoas conhecem os riscos, mas cometem o erro de não ir ao médico".