(Atualizado no dia 20/04/2003)
 
Início Diario de Pernambuco Saúde Pesquisa revela crescimento da automedicação

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias

 

Saúde

Pesquisa revela crescimento da automedicação

OFTALMOLOGIA

Depois de queimar os olhos enquanto realizava uma soldagem, em agosto do ano passado, o metalúrgico Wálder Domingos de Lima achava que estaria resolvendo o problema ao comprar um colírio anestésico na farmácia, sem receita mesmo. Mas não foi isso que aconteceu. Além de não curar o mal, o tratamento por pouco não causa uma tragédia maior. "O medicamento provocou um efeito muito grave na córnea. Ele poderia ter ficado cego", atesta o oftalmologista Alexandre Ventura, que atendeu Wálder quando ele finalmente se convenceu de que deveria procurar um médico.

  O caso de Wálder demonstra bem o quanto pode ser perigosa a automedicação, na qual as vítimas de uma doença qualquer evitam o atendimento de um especialista e acabam adotando um tratamento por conta própria ou baseado na indicação de outras pessoas. Apesar de seus efeitos graves, a prática ainda é adotada pela maioria das vítimas de doenças oculares em Pernambuco. O estudo Automedicação Ocular em Pernambuco-Brasil, realizado por um grupo de quatro oftalmologistas da Fundação Altino Ventura, apontou um índice de 80,5% de prática de automedicação entre os pacientes atendidos na emergência do hospital Hope entre os meses de janeiro e junho de 2001.

  Primeiro levantamento sobre o assunto no Estado, a pesquisa colheu dados entre 940 pacientes do hospital, relacionando apenas aqueles que já chegavam ao atendimento após terem sido submetidos a algum tipo de medicação, um universo de 442 pessoas, ou 47% do total. Destas, 302, ou 68,3%, adotaram medicação por conta própria. Outras 54 (12,2%) usaram remédios indicados por amigos ou parentes. Apenas 86 (19,4%) haviam usado medicação receitada por médicos.

Demora - Orientador da pesquisa, o oftalmologista André Araújo lembra que os riscos mais comuns da automedicação residem no fato de que o verdadeiro tratamento para a doença, quando o paciente insiste em tomar remédios que não foram receitados, será adiado. "Muitas vezes, a medicação acaba mascarando o diagnóstico e os médicos têm dificuldade em identificar a origem doproblema. Isso atrasa o tratamento e acaba agravando o quadro", disse Araújo.

  Mas os efeitos mais graves, de acordo com os médicos, são provocados pelo próprio medicamento, quando tomado de forma errada, sem estarem necessariamente ligados à doença original. "Os colírios à base de corticóides, por exemplo, quando usados durante muito tempo, podem provocar um aumento da pressão ocular e acabar causando um glaucoma no paciente", ilustra. Outra armadilha da automedicação, de acordo com ele, é o desenvolvimento de resistência a antibióticos, quando os medicamentos são tomados por um período além do necessário.

  O trabalho será enviado também ao Ministério da Saúde, com a finalidade de se obter um maior rigor na venda de medicamentos para saúde ocular. "A solução mais prática é passar a exercer um controle e uma fiscalização maiores nas farmácias, garantindo que esses medicamentos sejam vendidos apenas com a apresentação de receitas controladas", recomenda Araújo, lembrando que o estudo também recomenda o desenvolvimento de campanhas educativas.

  Para ele, as causas da automedicação estão diretamente relacionadas ao esclarecimento da população. "Apenas 76, o que representa 17% dos pacientes que receberam medicação, possuíam curso superior. A grande maioria ficava abaixo desse nível de estudo", explica o médico.


Leia Mais...

Imprudência pode provocar danos graves







 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br