Edição de Sábado, 26 de Abril de 2003
 
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Xiitas descartam governo imposto pelos EUA

TRANSIÇÃO no Iraque

KERBALA (Iraque) - Líderes xiitas iraquianos aproveitaram, ontem, as orações de sexta-feira, dia de descanso dos muçulmanos, para advertir os EUA que rejeitarão qualquer governo imposto pelas forças de ocupação. O imã Abdel Aziz Hakim, "número 2" do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (Sciri), reafirmou a posição de seu movimento em favor de um "governo nacional de transição", no qual os xiitas exerçam um papel proporcional à sua representação no Iraque - onde são mais de 60% da população. "Não participaremos de nenhum governo que nos seja imposto", declarou. A chegada ao poder de um governo teocrático islâmico, nos moldes do iraniano, é o grande temor da administração americana. O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, reiterou, ontem, que as forças de ocupação não permitirão a instauração de uma "ditadura religiosa" no país.

  Como forma de conter a influência iraniana, os EUA estudam ajudar o principal grupo armado de oposição ao regime do Irã, os Mujahedin do Povo, que tem baseno Iraque. Há vários anos o Departamento de Estado dos EUA mantém os Mujahedin do Povo na lista de "grupos terroristas". A máxima autoridade xiita da cidade de Kerbala, xeque Kadem al-Nasseri, acusou ontem as forças militares americanas de deixarem em liberdade membros do Partido Baath, de Saddam Hussein, e ameaçou emitir uma fatwa (decreto religioso) contra a ocupação do Iraque.

"Os soldados dos EUA libertaram 6 integrantes que tinham suas mãos manchadas de sangue e nos custou muito capturar", disse. Segundo Al-Nasseri, essas pessoas tinham sido responsáveis pela detenção e execução de dezenas de xiitas que participaram das rebeliões contra o regime de Saddam, em 1991, no sul do Iraque."Cerca de 20 dias antes da guerra, os clérigos xiitas emitiram uma fatwa para que a população não cooperasse nem com Saddam nem com os invasores", afirmou Al-Nasseri. "Se as tropas estrangeiras não se retirarem , haverá um novo decreto pedindo aos xiitas que os expulsem, o que, na prática, significará a proclamação da jihad (guerra santa) contra os EUA".


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