HQs completam 64 anos e têm a internet como forma de divulgação
Iúri Moreira
Da Equipe do DIARIO
Faz exatamente 64 anos que o brasileiro conhece as revistas em quadrinhos pelo nome gibi, graças à revista homônima lançada em abril de 1939. Era uma revista de histórias em quadrinhos de 32 páginas, no formato de meio tablóide, com algumas páginas em duas cores - vermelho e amarelo - e as demais em preto e branco.
De lá para cá, muita coisa mudou. Como não poderia deixar de ser, os heróis das HQs ganharam colorido via computador e tomaram a internet de assalto. Um bom exemplo é o gibi Combo Rangers, criado por Fábio Yabu, 23, que apareceu primeiro na web para depois ser vendido em bancas de revistas. "Combo Rangers foi a primeira série on-line produzida em flash do País, ainda em 1998. Não tínhamos concorrentes e, por isso, o site começou a ganhar fôlego", lembra Yabu. Por causa disso, o foco das histórias acabou mudando. No início, era uma série mais politizada e sarcástica. Com o crescimento, tivemos de deixar as histórias mais infantis", revela.
O crescimento acelerado dos personagens acabou conquistando as páginas das revistas. Desde o ano 2000 que as histórias passaram a ser publicadas em uma revista mensal, hoje sob a batuta do selo Panini. "Atualmente, a página é uma vitrine para os personagens e produtos, pois ficou difícil manter cerca de 60 tiras on-line, com gente fazendo download a todo momento", conta. Para Fábio, a web é o maior veículo para discussão e divulgação do mundo das HQs. "O poder de interação e influência da internet é muito grande", diz, referindo-se aos vários websites, fóruns de discussão e blogs dedicados ao assunto.
O colunista de quadrinhos do portal Pernambuco.com, Gustavo Farias, concorda com Yabu. "Antigamente, você não tinha muita idéia do que estava acontecendo nos grandes estúdios; tinha que esperar as revistas chegarem nas bancas com muito atraso em relação aos Estados Unidos", lembra. Para ele, só fica por fora atualmente quem quer. "Você pode ler histórias completas em formato pdf (Adobe Acrobat) de autores que não encontraria nunca em uma banca de revistas", exemplifica.
Christiano Mascaro, quadrinista e ilustrador do DIARIO, concorda com a idéia da interação entre leitores e admiradores que a internet tanto proporciona. "No entanto, prefiro pegar no papel e colocar a revista na prateleira", conta. Apesar disso, a internet não deixa de ser um veículo bacana para ele: "creio que a web oferece potencial para se fazer algo híbrido entre quadrinhos e animação, da mesma maneira que as HQs representam um meio termo entre o cinema e a literatura. Mas isso é algo que ainda deve ser encontrado", filosofa.
"Uma comparação interessante que pode ser feita é a do gramofone em relação ao mp3. O formato de tira de quadrinhos é algo típico do século 20. Agora, estamos em outro século". A opinião é do cartunista Laílson, também do DIARIO. Para ele, a internet é a ferramenta de comunicação pessoal mais poderosa que já apareceu e, por isso, todas as formas de arte estão tendo que se adaptar a ela. "Muita gente que não tinha possibilidade de mostrar seu trabalho, ou que fazia um fanzine de bairro usando fotocópias, agora pode montar uma página na internet e mostrar para o mundo todo", exemplifica.
No entanto, ele não acredita que o quadrinho funcione na grande rede. "Falo especificamente do quadrinho, não da arte seqüencial. É fato que a grande rede oferece ferramentas e possibilidades interessantes para trabalhar com arte seqüencial, mas os quadrinhos propriamente ditos não, pois a gente precisa pegar neles", justifica.
iuri@pernambuco.com