Convivência com animais é ameaçada por falta de treinamento
Cleiton Fernandes
DA EQUIPE DO DIARIO
A cadela Mila, uma poodle de cinco anos, é a queridinha do prédio onde mora. Ela brinca com as crianças, corre atrás das bolinhas, leva os chinelos para o dono e ainda faz firulas quando ver os outros animais. E ao contrário de muitos outros cachorros que são criados em apartamentos, ela não faz xixi nos pneus dos carros, não morde a mobília do hall e muito menos fica latindo no meio da noite. Mas na contramão de uma convivência pacífica e saudável entre homens e cães, também há os cachorros que são verdadeiras feras. Mal treinados, indóceis e barulhentos, eles tiram a paciência de muita gente. E a situação é mais grave quando um desses animais reside, exatamente, no apartamento do vizinho.
De acordo com Telma Rejane Sousa, síndica de cinco prédios localizados na Região Metropolitana do Recife, o principal conselho é manter a calma. Se a situação ficar crítica, o reclamante poderá marcar uma reunião de condomínio para chegar a um consenso na solução do problema. Com experiência de quem conhece bem o assunto, e convive diariamente com as divergências, ela diz que o animal nunca é o culpado, mas sim o dono. "Os prédios possuem regimento interno de condomínio que trata, inclusive, sobre a permanência do animal no local. Cabe aos donos, cumpri-lo".
Entre as regras, estão a obrigatoriedade de utilizar apenas o elevador de serviço quando estiver com o animal, colocá-lo nos braços e não deixar o cão circular nas áreas comuns do prédio. Também é preciso tomar cuidado para não deixá-lo fazer as necessidades fisiológicas na área do condomínio ou morder algum morador. A síndica diz que todos os animais devem usar coleiras e estão proibidos de ficar em áreas como o playground e ao redor da piscina. "Involuntariamente, os cachorros podem contaminar com germes ou outras doenças as crianças e as demais pessoas que ficam no local".
Os problemas podem ir mais além. O latido dos animais também pertuba os moradores dos apartamentos vizinhos. Não existe uma norma específica sobre o assunto. A sensatez dos donos de animais é indispensável. Telma diz que muitas vezes o culpado nem é o cachorro, mas o dono. Ela conta que uma situação bastante comum é quando o morador sai para trabalhar, passa o dia inteiro fora de casa e deixa o cachorro mal alimentado. Ele começa a latir de fome. "Se as pessoas fossem obedecessem as normas, a polêmica entre a permanência ou não de animais teria fim".
Há condomínios que não permitem a permanência desses animais. O resultado é que tem crescido o número de ações na Justiça por parte dos donos dos cães, exigindo a permanência do animal. Segundo a síndica, cerca de 80% das causas dá ganho para a continuidade da permanência. São os casos em que não há prejuízo para o sossego, a saúde e a segurança dos moradores.