O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou ontem o pedido de apoio ao governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), e de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), às reformas da Previdência e tributária. Lula se comprometeu com os governadores a bancar as reformas, mas como partidos aliados, entre eles o PSB, resistem às mudanças, ele quer arrancar dos governadores o compromisso de que eles pressionarão suas bancadas a votar a favor das mudanças.
Lula se encontrou com parte das bancadas de deputados de Pernambuco e de Alagoas. A todos reforçou que é preciso união da base em torno das reformas e que elas precisam ser aprovadas "o mais rapidamente possível". O presidente encaminha na quarta-feira as propostas de reforma da Previdência e tributária ao Congresso.
Ao pedir apoio aos aliados, o presidente não ignorou os problemas em relação a pontos como a cobrança dos inativos dentro do seu próprio partido. Avisou também que ele está empenhado em acabar com as resistências. À frente desta articulação política, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, voltou a garantir que o PT estará unido na hora de votar a reforma da Previdência. Ele lembrou que existem duas resoluções aprovadas pelo Diretório Nacional do partido que orientam o voto a favor da cobrança dos inativos.
INATIVOS - Uma delas é de 1996, quando Dirceu era presidente do PT. Diz que o partido votará a favor da taxação dos inativos em valores de aposentadorias superiores a 10 salários mínimos (hoje, R$ 240). Mas os governadores querem que o teto seja fixado em R$ 1.058, o mesmo do Imposto de Renda da Pessoa Física. A outra resolução é de março do ano passado. Nela, o PT condena apenas a cobrança da contribuição dos inativos da iniciativa privada. Isso, de fato, nunca esteve em cogitação.
O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), que participou do encontro de Lula com Chávez, fez uma cobrança freqüente dos governadores e no Congresso. Disse que é muito importante o PT ter unidade durante a votação da reforma da Previdência, porque assim poderá contribuir para evitar dissidências nos outros partidos da base aliada. E que se o governo conseguir unir o PT em defesa das reformas, os partidos de oposição, como o PSDB, ficarão em situação mais confortável para apoiar as propostas do governo, inclusive a taxação dos aposentados do serviço público, como já avisaram os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e Lúcio Alcântara (CE).