Protocolo para exportação do produto à Venezuela levaria Pernambuco a produzir 700 milhões de litros
Cleiton Fernandes e Aquiles Lopes
DA EQUIPE DO DIARIO
O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha, está otimista com a possibilidade do Estado fechar acordo comercial com a Venezuela para a exportação de álcool. O aceno positivo, dado ontem na visita dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, vai representar a abertura de novos mercados internacionais e o estímulo ao incremento da produção local. Atualmente, Pernambuco produz cerca de 300 milhões de litros de álcool a cada safra semestral. Com a concretização do acordo, Renato Cunha diz que a produção poderá crescer para 700 milhões de litros por semestre.
Ele explica que a exportação do álcool ainda é muito pequena. De toda a produção local, apenas 20 milhões de litros de álcool são enviados para países como o Japão e Coréia. A maior parte é consumida internamente. "A abertura de mercado com a Venezuela provocaria ganhos bastante positivos para o setor sucroalcooleiro. Mas é preciso saber a disposição da mistura do álcool brasileiro à gasolina venezuela por parte do presidente Hugo Chávez".
O otimismo não é em vão. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, que acompanhou o presidente Lula ontem ao Recife que o governo venezuelano tem interesse na tecnologia que o Brasil desenvolveu para o álcool como combustível alternativo. "Eles possuem grandes reservas de petróleo e podemos estabelecer uma carta de intenções entre os dois países".
Como Pernambuco é um dos grandes produtores nacionais de álcool, Lessa considerou a vinda ao Estado estratégica. Na avaliação dele, o setor alcooleiro local é um dos que mais pode sair beneficiado, caso acordos entre os dois países sejam de fato confirmados.
Ao contrário do Brasil, que já tem uma porcentagem de 25% de mistura do álcool à gasolina, o combustível da Venezuela ainda não possui nenhum outro tipo de componente. Os principais benefícios da mistura são o barateamento do preço do litro da gasolina e a diminuição do teor de poluição. O presidente do Sindaçúcar também aponta a boa logística do Estado, que conta com os portos do Recife e Suape, como um fator que deverá interferir, positivamente, na decisão.
PROTECIONISMO - Renato Cunha alerta que as intenções do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em fechar o acordo, poderá esbarrar no protecionismo da Comunidade Andina de Fomento, entidade que regula as transações comerciais da Venezuela com os demais países. Ele conta que já esteve na Venezuela, em missão promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e constatou que os produtores venezuelanos priorizam o Pacto Andino.
O acordo econômico facilita as transações comerciais, com redução das barreiras alfandegárias, com a Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e alguns países do Caribe.