Além da briga política entre os estados pela refinaria, onde sairá ganhando quem fizer maior e melhor lobby, há as preferências subjetivas de pessoas que podem influenciar diretamente no processo de escolha. Pela vontade do presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, a refinaria seria construída em Sergipe. Dutra é carioca mas consolidou naquele estado sua carreira política, elegendo-se senador pelo PT. Nesse caso, o fato do governador de Sergipe ser do PFL (João Alves), perde importância.
O presidente Lula, segundo o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), também tem suas preferências. Ele teria confidenciado ao deputado que gostaria de ver a planta de refino sendo construída no Piauí, por ser um estado muito pobre. Como se sabe, um empreendimento do porte de uma refinaria de US$ 2 bilhões traz riqueza e crescimento econômico. No entanto, Lula reconhece que o estado não tem cacife técnico.
opção - A segunda opção do presidente, ainda de acordo com Ferro, seria Pernambuco. Só que Lula está evitando seenvolver na guerra travada entre os estados numa época em que precisa de apoio para aprovar reformas importantes para o País. Foi até um alívio que o local do encontro tenha sido definido pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e não pelo Governo brasileiro. "O presidente acredita que Pernambuco tem condições de trabalhar politicamente para conseguir a refinaria. Vamos ter que unir forças políticas".
Ferro, que acompanha de perto as negociações para implantação da refinaria, criticou a postura do Governo estadual durante o encontro de ontem no Palácio do Campo das Princesas. Na sua opinião, o governador Jarbas Vasconcelos poderia ter "assumido uma postura mais agressiva no quesito refinaria". "O evento foi de extrema importância ao mobilizar dois presidentes e vários ministros de estado com o objetivo de estreitar laços comerciais. Lamento que o nosso governo não tenha participado do encontro com mais intensidade".