Edição de Sábado, 26 de Abril de 2003
 
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Chavéz quer refinaria em Pernambuco

Venezuela, PDVSA e Petrobras assinam protocolo de intenções

Micheline Batista
DA EQUIPE DO DIARIO

Se depender do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a refinaria de petróleo que a Petroleos da Venezuela S.A. (PDVSA) pretende implantar no Brasil será em Pernambuco. Sugeriu inclusive um nome: Abreu e Lima. Segundo ele, o país não tem dinheiro para tocar o empreendimento, mas tem vontade política. "Gostaria muito que fosse aqui", disse Chávez, após reunião de trabalho realizada ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Recife. Durante o encontro, foi assinado um Protocolo de Intenções entre a PDVSA e a Petrobras para viabilização de negócios em áreas de interesse comum, entre eles a construção de uma refinaria para processar óleo pesado no Brasil. Os estudos devem estar concluídos em 90 dias. Mas a decisão será política.

  Para o presidente da estatal brasileira de petróleo, José Eduardo Dutra, o protocolo assinado ontem com a PDVSA é a primeira iniciativa concreta para a implantação de uma planta de refino no País tendo a Petrobras como sócia. "Há outras empresas acenando, mas não de um ponto devista tão sistematizado", declarou. Dutra não confirmou, no entanto, que o empreendimento seria implantado em Pernambuco. "Todo esse processo vai levar em consideração aspectos econômicos, comerciais e políticos. É lógico que se a intenção do Governo federal é descentralizar o desenvolvimento, então a refinaria viria para o Nordeste. Nesse caso, existem pelo menos cinco estados que estão disputando o empreendimento", afirmou.

  De fato. Pernambuco pode possuir as melhores condições técnicas para a construção da refinaria, por causa da localização e da infra-estrutura existente no Porto de Suape. Mas a decisão será política. Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo também estão no páreo e tudo vai depender do lobby de cada um. Só que tem um detalhe. Pernambuco é o único estado que possui um projeto estruturado, fruto de um acordo já firmado entre a PDVSA e o grupo Renor. Foi a PDVSA, inclusive, que convenceu a Renor a desistir do Porto de Pecém (CE) e optar por Suape. Pelo curto prazo fixado no protocolo de intenções (90 dias) para conclusão dos estudos, ficará difícil os concorrentes avançarem até esse ponto.

Comentários dos leitores

"Eu não consigo aceitar ainda, que o brasileiro - pernambucano - ainda não aprendeu a lição, que ninguém dá nada de graça a ninguém! Se esta refinaria esta sendo 'caridosamente' estudada p/ ser implantada em Pernambuco, mesmo sendo um estado pobre de incentivos econômicos, mas rico de boa vontade política, não é nada a mais ou a menos, que pelo motivo mais óbvio: os outros estados do Brasil preferem preservar o equilíbrio das riquezas naturais, visto que o país usa-o como fonte de renda, o turismo. Surpreende-me muito que os políticos de Pernambuco não pensam em preservar as riquezas naturais, o equilíbrio ecológico do nosso Estado; dado que Pernambuco também vive de turismo. Não sei porque, me faz pensar que estes políticos que incentivam tanto esta refinaria em Pernambuco, estão sendo estimulados por algo de não explicito nas vossas reportagens!!! Que pena , que ninguém ainda pensou em pedir a opinião do Ministro do Turismo, sobre esta invasão para com o estado de Pernambuco!!!", Miranda, por e-mail.

 


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