Cinza e prata dominam o mercado e escolha do consumidor pode variar de acordo com a região do País
Ana Braga
Da equipe do DIARIO
Houve um tempo em que escolher cor de carro era quase impossível. O consumidor ficava então com o que tivesse disponível no pátio da concessionária ou na fábrica. Ainda hoje, corre-se o mesmo risco em compras on line pela Internet. Mas tendo chance de optar, o comprador vai direto na cartela. Aliás, esta é uma das primeiras exigências ao vendedor. E o que sai mais?
De acordo com a Ford nacional, os carros em prata, incluindo as variações de claro e escuro, têm preferência de 60% dos consumidores, os cinza, 15%, e os de cor verde, 10%. Vê-se a sobriedade dos brasileiros. A marca tem uma justificativa: o Brasil é um país tropical, de explosão de cores, e os consumidores tentam equilibrar este colorido com escolhas frias. Já no mercado europeu, onde prevalece o cinza das paisagens, as cores fortes são prediletas.
A preferência às vezes tem particularidades nas regiões. No Sudeste, o branco fica escanteado. A Fiat argumenta que o "fator táxi" provoca esta aversão. A consultora de vendas da revenda Fiori (Fiat), Ana Laura Amaral, pinta o quadro no Nordeste. "Branco já foi uma das prediletas na região também, mas perdeu força, porque é de táxi". Entretanto, no Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, o branco lidera o ranking, segundo pesquisa da Fiat.
O fator clima também determina diferenças entre regiões, embora o cinza e o prata sejam líderes em quase todo país. "As cores escuras, por exemplo, são rejeitadas em climas quentes porque absorvem mais raios solares, o que aumenta a temperatura no inteiro do veículo", explica o consultor de vendas da revenda Sael (Volkwagen), Marcos Neris. Há carros que não obedecem à questão climática, digamos assim. "O Golf sai muito em preto, porque esta cor deixa o modelo mais esportivo", observa.
IMPORTADOS - Preto, prata e azul. Esta é ordem de preferência dos compradores de Audi no Recife. "No Brasil todos eles também só querem estas cores. Quando repassamos um usado para lojas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a primeira exigência que fazem é de cor", destaca o consultor de vendas da Audi Sael, Luiz Sabino Pinho. "Isto se estende, na minha opinião, para as marcas Mercedes Benz e BMW". A tabela de seminovos da Audi pode comprovar a predileção. "Um A3, de 2001, custa R$ 36,5 mil, nas cores preto, prata ou azul. Um carro de mesmo modelo e ano, em vermelho, branco ou vinho, vale R$ 35,5 mil", conta Sabino.
O processo de escolha e utilização de cores por parte das fábricas pode levar anos. A decisão começa no fornecedor de tinta, passa para a montadora e por várias pesquisas e oficinas com clientes. Entretanto, marcas nacionais e estrangeiras lançam, vez em quando, cores ousadas. Quando o Palio estreou em 1996, veio em cores cítricas também, como o Verde Vivace. O mesmo modelo saiu em 2001 no cheguei Amarelo Ímola. O classudo Golf apareceu, no ano passado, quando foi vendido no Verde Collection. Era algo do tipo ame-o ou odei-o. Até o A3 já teve dias mais coloridos, com um azul tipo caneta Bic, dourado e vinho. Poucos estão nas ruas.