CÓDIGO
SÃO PAULO - O superintendente da Polícia Federal em Alagoas, José Paulo Rubim, confirmou ontem que os carcereiros da PF interceptaram uma carta que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, passou para a advogada carioca Patrícia Queiroz. Rubim não revelou o conteúdo da correspondência, que segundo uma fonte da PF continha mensagens em código do tipo "desenterrem o isopor" e "vendam uma casa".
"O que eu posso dizer é que a correspondência foi interceptada porque estava fora dos procedimentos", revelou o superintendente, acrescentando que toda carta escrita ou dirigida ao traficante passa por uma triagem. "Para que essa carta seguisse o seu curso normal, ele teria de entregá-la a um dos policiais, para que a correspondência passasse pela triagem e depois fosse entregue à advogada", explicou Rubim.
Segundo ele, o traficante não está tendo acesso a jornais ou revistas com informações atualizadas, como chegou a ser divulgado pela Imprensa local. Rubin disse que o traficante pediu e recebeu algumas revistas para ler, mas o chefe da carceragem teve o cuidado de vetar que ele tivesse acesso a publicações com informações sobre as ações dos bandidos e as medidas de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
Amanhã faz um mês que Beira-Mar está preso em uma das oito celas da PF em Maceió. Nesse período, recebeu a visita de três advogados e de dois parentes: uma irmã e um filho. Ele está preso em uma cela padrão do sistema carcerário da PF, sem contato com outros presos e monitorado 24 horas por dia por agentes. A cela é dividida em módulos, sendo um deles destinado ao banho de sol.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem, em São Paulo, que não tem informações sobre a transferência de Beira-Mar. Thomaz Bastos afirmou que não conversou com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre um possível retorno do traficante ao presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes (589 quilômetros a Oeste de São Paulo), onde ficou durante 30 dias depois de ter sido transferido de Bangu 1, no Rio.