Quando o terreiro tem entre seus ogãs (tocadores) algum
compositor, então é comum também cantigas próprias, como as que ouvimos
no terreiro do Pai Canindé. Lá a voz que entoa as canções são da cantora
Luciene Loyce, líder da banda Oxum Pandá, e a iyatebexe da casa (cargo
de candomblé, que significa mãe dos cânticos). O repertório é rico e
contagiante. Recentemente, ela compôs o Hino da Jurema. Acredita ainda
que a inspiração vem dos próprios mestres, já que letra e melodia chegam
juntas, sem muito trabalho. Nas execuções, ela é acompanhada por alguns
tocadores, que usam além da maraca, os elús (como são chamados os atabaques
na Umbanda).
Em alguns momentos, usa ainda agogôs para marcar o ritmo. Os mais
comuns são os sambas-de-caboclo, o coco e a chamada bolada (parecido
com o samba-de-roda). Ao som dessas canções, os mestres incorporam e
festejam com uma dança que em tudo é semelhante à dança indígena. Batem
forte com os dois pés no chão, ao mesmo tempo, e esticam o braço como
se estivessem guerreando, mantêm face cerrada e promovem rituais de
limpeza usando arbustos de aroeira e ainda cachimbadas também com efeito
de purificação. Observando-os nesse espécie de Pajelança adaptada, muitas
perguntas e dúvidas nos surgem. Estava mesmo na hora de alguns responsáveis
por isso tentarem responder questões pertinentes a essa cultura e, assim,
contribuir para a preservação, sem preconceitos, do conjunto de crenças
tão presentes na formação da religiosidade brasileira.
Comentários dos leitores
"Estou encantado!!, com a coragem do jornal Diario,
em publicar sobre esta religião que tanto é mal interpretada pelas outras.
Está de parabéns o idealizador desta reportagem... Everardo
Juremeiro. João Pessoa - PB", Everardo Viana, por e-mail
"Achei de fundamental importancia para comunidade
pernambucana, uma matéria como essa que de alguma forma vem a esclarecer
uma pouco mais de nossa própria cultura.", Becio Møller, por e-mail.