Edição de Terça-Feira, 22 de Abril de 2003
 
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Ritual e musicalidade

Quando o terreiro tem entre seus ogãs (tocadores) algum compositor, então é comum também cantigas próprias, como as que ouvimos no terreiro do Pai Canindé. Lá a voz que entoa as canções são da cantora Luciene Loyce, líder da banda Oxum Pandá, e a iyatebexe da casa (cargo de candomblé, que significa mãe dos cânticos). O repertório é rico e contagiante. Recentemente, ela compôs o Hino da Jurema. Acredita ainda que a inspiração vem dos próprios mestres, já que letra e melodia chegam juntas, sem muito trabalho. Nas execuções, ela é acompanhada por alguns tocadores, que usam além da maraca, os elús (como são chamados os atabaques na Umbanda).

  Em alguns momentos, usa ainda agogôs para marcar o ritmo. Os mais comuns são os sambas-de-caboclo, o coco e a chamada bolada (parecido com o samba-de-roda). Ao som dessas canções, os mestres incorporam e festejam com uma dança que em tudo é semelhante à dança indígena. Batem forte com os dois pés no chão, ao mesmo tempo, e esticam o braço como se estivessem guerreando, mantêm face cerrada e promovem rituais de limpeza usando arbustos de aroeira e ainda cachimbadas também com efeito de purificação. Observando-os nesse espécie de Pajelança adaptada, muitas perguntas e dúvidas nos surgem. Estava mesmo na hora de alguns responsáveis por isso tentarem responder questões pertinentes a essa cultura e, assim, contribuir para a preservação, sem preconceitos, do conjunto de crenças tão presentes na formação da religiosidade brasileira.

Comentários dos leitores

"Estou encantado!!, com a coragem do jornal Diario, em publicar sobre esta religião que tanto é mal interpretada pelas outras. Está de parabéns o idealizador desta reportagem... Everardo Juremeiro. João Pessoa - PB", Everardo Viana, por e-mail

"Achei de fundamental importancia para comunidade pernambucana, uma matéria como essa que de alguma forma vem a esclarecer uma pouco mais de nossa própria cultura.", Becio Møller, por e-mail.


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