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Lula impressiona analistas
PODER DE NEGOCIAÇÃO
SÃO PAULO - Os analistas são unânimes em afirmar que o ponto da proposta do Governo para a reforma da Previdência que mais vai gerar polêmicas é o que diz respeito à cobrança dos inativos a partir do limite de isenção do Imposto de Renda da pessoa física (R$ 1.058,00) em 11%, que valerá para União, Estados e municípios. Mas o que realmente impressiona os analistas é a capacidade de articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de uma questão tão complexa e que envolve interesses vindos de todas as partes da sociedade.
A analista Ana Paula Rocha, especialista do Banco Sudameris para questões do setor público, acrescenta que a grande diferença entre a gestão de Fernando Henrique Cardoso e a de Lula, principalmente na questão da reforma da Previdência, é que o atual presidente prefere discutir a questão com todos os executivos estaduais, enquanto que no Governo de FHC, a abordagem envolvia apenas alguns governadores. Na quinta-feira, Lula recebeu apoio dos governadores dos 27 Estados para a proposta da reforma previdenciária que será enviada na próxima semana ao Congresso.
Promessa - Com isso, segundo escreveu a economista sênior do BBV Banco, Zeina Latif, no boletim econômico diário que a instituição envia para seus principais clientes, cumpre-se uma promessa feita pelo Governo federal. "Esse tema é reconhecidamente polêmico e envolve muitos interesses. Dessa forma, a capacidade de negociação do Governo aliada a seu pragmatismo impressionam", ressalta a analista.
Para o economista-chefe do Banco Fibra, Guilherme da Nóbrega, os governadores têm e sempre tiveram grande interesse na reforma da Previdência. Segundo ele, a despesa com inativos limita a capacidade que eles têm de gastar e cumprir promessas de campanha. "Por isso, o que mais surpreende não é, propriamente, o apoio que Lula obteve na reunião. O intrigante, mesmo, é que FHC não tenha chegado a semelhante concerto durante seus dois mandatos. Terá Lula mais talento para construir acordos?, questiona Nóbrega.
De acordo com o economistado Fibra, ao contrário do que indicaria o senso comum, o presidente tem conseguido transformar seus encontros com governadores em símbolos de construção institucional. "Entram sorridentes; saem todos, aparentemente, vitoriosos. Para quem olha de relance, é até difícil perceber que existe, ali, um bloco de oposição", destaca Nóbrega.
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