Edição de Domingo, 20 de Abril de 2003
 
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Longevidade abala previdência

Pessoas com mais de 65 anos somam hoje 8% da população. Em 2030, proporção atingirá 20% dos brasileiros

Rosa Falcão
Da EQUIPE DO DIARIO

O rombo da previdência no Brasil estimado em R$ 80,1 bilhões este ano tende a se agravar porque as pessoas estão vivendo mais. Hoje, os idosos - pessoas com 65 anos ou mais - representam 8% da população. No ano de 2030 essa proporção atingirá 20% dos brasileiros. De acordo com dados da Previdência Social, o número de pessoas com 80 anos ou mais era de 700 mil habitantes em 1980 e passará a cerca de 9 milhões nos próximos 47 anos. O aumento da longevidade da população faz com que o Governo tenha que pagar os benefícios dos aposentados por mais tempo. Se não houver um freio de arrumação, com a adoção de um teto e idade mais longa para se aposentar, os regimes previdenciários poderão entrar em colapso e faltar dinheiro para pagar os benefícios.

  É o que mostra o estudo "Envelhecimento Mundial - Desafio do novo milênio", da consultoria Watson Wyatt Worldwide, especializada em previdência e do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS). Newton César Conde, atuário e sócio-diretor da Watson, é taxativo: a previdência é um sistema desequilibrado. A maior longevidade das pessoas está levando os países mais desenvolvidos a repensarem os sistemas de previdência. Segundo ele, se quisermos poupar os segurados atuais do Regime Geral de Previdência (RGPS) e dos Regimes Próprios, teremos que atuar em cima dos futuros segurados.

  Conde defende a adoção de um teto para aposentadoria inferior ao valor de R$ 1.561,60, pago hoje pelo INSS. Além de uma idade mais avançada para a aposentadoria. Segundo ele, nos países desenvolvidos as pessoas trabalham até os 65 ou 70 anos. O argumento do especialista em previdência é simples. Não há mais espaço para o crescimento das receitas dos regimes de previdência e do INSS porque as contribuições já são pesadas para o bolso dos trabalhadores. A saída será atacar do lado das despesas do sistema previdenciário.

DESEQUILÍBRIO - Como as pessoas estão vivendo mais e se aposentando mais cedo, oneram cada vez mais o caixa da previdência. Com um agravante: os inativos deixam de contribuir quando se aposentam, causando um desequilíbrio no caixa dos regimes de previdência. A situação poderá ser alterada se passar a cobrança dos inativos na proposta de Reforma Previdenciária que será encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso. Caso contrário, a tendência é a equação se inverter, com cada vez menos contribuintes para pagar mais aposentados.

  Pelo estudo atuarial da Fundação das Aposentadorias e Pensões de Pernambuco (Funape), Pernambuco chegará ao ano 2010 com a proporção de 1 ativo para 1 aposentado. Significa que cada servidor em atividade estará pagando o benefício de um aposentado. No Brasil, essa proporção já é de 1 ativo para 0,8 aposentado, mostrando que já está descoberto o benefício. "A situação é dramática. Para equilibrar um sistema dessa forma teríamos que aumentar em 100% a alíquota de contribuição", confirma Nilo Lins, presidente da Funape.

  Segundo Lins, o desequilíbrio aumenta porque a tábua de idade foi puxada para cima no Brasil. As pessoas estão vivendo mais e usufruindo o benefício previdenciário durante tempo maior. Hoje, o servidor público entra para a inatividade com 55 anos e vive até os 75 anos. O Estado desembolsa o pagamento da aposentadoria por mais vinte anos. Antes a longevidade alcançava os 65 anos. Dez anos a menos para pagar o benefício.

 


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