DJ Dolores e Orchestra Santa Massa não é banda para palminhas sincronizadas, coro da platéia, ou para quem quer pular e bater cabeça. A proposta é fazer o público simplesmente dançar, cada um à sua maneira. Em apresentação excelente como sempre, a santíssima fez Carlos Eduardo Miranda, diretor artístico da gravadora Trama (empresa que os distribui), manifestar entusiasmo físico, contribuindo pessoalmente para os aplausos que chegaram a abafar o som produzido pelo grupo, responsável em alguns momentos pela transformação do Pavilhão em uma verdadeira rave, guardadas as devidas proporções. A equipe de Dolores (discotecando em cima de um altar no palco principal) confirmou que não só tem numerosos fãs na cidade, como já pode se gabar de possuir seus próprios hits, a exemplo de Adorela.
Os aplausos que se sobrepuseram ao som de Dolores, mais do que um mérito, são também sinal de uma persistente falha do Pavilhão de Feiras do Centro de Convenções enquanto espaço para shows. Quando o som não está baixo, fica distorcido. Esse excesso de eco se manifestou bastante no divertido show de rap da Stereo Maracanã. O problema é que as falhas de acústica não permitiam que suas palavras fossem distinguidas. Também incomodou ao público o comportamento ostensivo dos seguranças, que andavam em fila, atrapalhando quem queria ver os shows e intimidando os fãs mais entusiasmados. Os organizadores se esquecem que bom segurança é aquele que faz seu trabalho sem ser percebido. (J.C.)