"Se o Abril Pro Rock acabar, um buraco ficará aberto na programação dos eventos culturais de Pernambuco", expressou o produtor Paulo André Pires, em entrevista coletiva ao final do último show da noite de domingo. Sem o dinheiro do Funcultura e apoiado apenas por dois patrocinadores (Skol e Governo do Estado - este sem saber ainda a quantia que será cedida ao festival), o APR passou por cima de todos os entraves que poderiam ser o início do fim. Mas não foi. A programação, que a primeiro olhar parecia fraca, trouxe novidades de qualidade e, mais uma vez, os artistas do Estado ganharam destaque, mostrando que têm lugar garantido no palco do festival.
Roger de Renor, figura cativa do público recifense, fez a apresentação dos shows. Com o microfone em mãos, gritava ao público: "Vocês são os maiores patrocinadores do Abril Pro Rock." A resposta? Tímida, talvez por estarem desinformados sobre a apertada situação financeira do festival. A expectativa da organização, em relação ao público, foi quase suprida. A sexta deu oito mil pagantes, o sábado 4.500 e o domingo sete mil. "Se der para cobrirmos as despesas, já ficaremos felizes", disse Paulo André, completando que a produção não terá lucro com o festival.
O estudante Eduardo Oliveira, 20, ao fim da apresentação do Ira!, na madrugada de segunda-feira, estava suado, dizia-se acabado, mas já pensava no próximo Abril, daqui a pelo menos 365 dias. O público, aliás, mostrou-se importante não apenas pelo dinheiro depositado nas bilheterias. Desinibido em aplaudir e parecendo saber distinguir a boa música, foi até o fim e soube ouvir e reconhecer as novidades.
Esperando que o Abril Pro Rock carregue o lema do Carnaval, com todo ano tem, a programação para 2004 já está sendo pensada pela produção. Com o universo do pop rock nacional praticamente todo percorrido nas 11 edições, Paulo André adianta as possibilidades. "Gostaríamos de trazer os cariocas Jorge Ben Jor e o Monobloco de Pedro Luiz".